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| ADUFF
faz evento para lembrar os 50 anos da morte de Bertolt Brecht |
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No dia 14 de agosto de 1956 falecia Bertolt Brecht, mas as numerosas manifestações em toda a Alemanha mostram como está vivo o dramaturgo dialético. A ADUFF também acha que o poeta e encenador marxista está mais atual e necessário que nunca. Por isso, nos dias 12, 13 e 14 de setembro, às 18h, no auditório do ICHF, realiza um ciclo debates com diretores das principais companhias brechtianas em atuação no Brasil. Confira toda a programação no cartaz e participe! Bertolt Brecht nasceu em 10 de fevereiro de 1898 em Augsburgo, Baviera, Alemanha. Em 1913 começou sua produção literária, ainda na escola. O contato com a obra de Friedrich Hebbel, dramaturgo maldito do século XIX, e de Frank Wedekind, precursor do teatro expressionista e crítico da moral pequeno-burguesa, deram os primeiros moldes ao pensamento de Brecht. Outra influência veio do teatro popular das cervejarias e da música dos cabarés alemães. Escrita em 1918 e encenada em 1923, Baal é considerada a primeira grande peça do dramaturgo e poeta na fase inicial de sua obra, de contornos expressionistas. A partir da peça Um homem é um homem (1926) Brecht se interessa pelo estudo do marxismo e a aplicação no campo estético. No final dos anos 30, ele começa a teorizar sobre o teatro épico como de superação da forma dramática. Com a ascensão de Adolf Hitler e a Segunda Guerra Mundial, Brecht partiu para o exílio em países da Europa e acabou por fixar-se nos Estados Unidos, onde foi perseguido pelo movimento anti-comunista conhecido como Macarthismo. Retornou à Alemanha em 1945 e trabalhou em seu teatro, o Berliner Ensemble, nos últimos oito anos de vida (morre em 1956). Sua obra teatral abrange 50 peças, dentre as quais se destacam Mãe Coragem, Galileu, Galilei e Santa Joana dos Matadouros. "Talvez o principal aspecto da forma épica criada por Brecht seja a historicização dos acontecimentos. Não se procura mostrar a vida como ela é, mas como não deveria ter se tornado. O público é quem realiza o sentido da cena ao pensar sobre os subterrâneos dos fatos observados, ao estabelecer o vínculo interrogativo entre uma história que se mostra incompleta e suas causas sociais e econômicas", explica o diretor da Companhia do Latão, Sérgio de Carvalho, que está em cartaz no CCBB com "O Círculo de giz caucasiano". Carvalho é um dos convidados da ADUFF e estará nesta terça feira, dia 12/9 ao lado do diretor Luis Fernando Lobo, da Companhia de Ensaio Aberto (em cartaz no teatro de arena da CEF, com "Olga Benário - um breve futuro"), outro grupo brasileiro de linguagem brechtiana. O debate será às 18h, no auditório do ICHF, no campus do Gragoatá, na UFF. Ao final do debate, atores da Cia do Latão apresentarão algumas canções do espetáculo. Teatro do MST é convidado especial da ADUFF - o espetáculo em cartaz no CCBB conta com a participação especial do grupo Filhos da Mãe...Terra, formado por crianças e adolescentes do Movimento dos Sem Terra (MST), do assentamento Carlos Lamarca, localizado na região de Sarapuí, no interior de São Paulo. Eles estão no vídeo que é utilizado como prólogo da encenação. "Essa montagem tem o objetivo de repensar o legado artístico de Bertolt Brecht em relação ao Brasil atual", pontua o encenador. Convidado pela ADUFF, o grupo do MST apresentará o espetáculo "Posseiros e Fazendeiros", uma adaptação do texto "Horácios e Curiácios", de Brecht, no auditório do ICHF no dia 13 de setembro, às 18h. Após a encenação, haverá debate com coordenador do grupo, Douglas Estevam. |
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| Latão
encena "O círculo de giz caucasiano" no CCBB |
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Teatro
III do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Rua Primeiro de Março,
66. Centro - RJ. "Obra-prima do teatro moderno". Assim o poeta e tradutor Manuel Bandeira definiu O círculo de giz caucasiano, de Bertolt Brecht (1898-1956), ao verter para o português um dos mais consagrados textos do dramaturgo alemão. E é a versão de Bandeira que a Companhia do Latão, um dos principais grupos brasileiros dedicado ao universo brechtiano, em cartaz no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, escolheu para homenagear os 50 anos de morte do dramaturgo alemão que uniu arte e política deixando um legado fundamental para o teatro moderno. A temporada de O círculo de giz caucasiano vai até 24 de setembro de 2006, de quarta a domingo às 19h. Na tradução de Bandeira, O círculo de giz caucasiano está fora dos palcos desde 1963, quando foi encenada pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC) na direção de José Renato. "Escolhi montar esse texto primeiro por ser um clássico, depois por discutir a questão da terra. Acho o momento perfeito para essa encenação", observa o diretor e dramaturgo Sérgio de Carvalho. A montagem envolve uma super-produção. O elenco de 11 atores apresentará a história, formada por três episódios, em 2h40, com intervalo. A montagem é permeada por 21 canções especialmente compostas por Martin Eikmeier. Dois músicos estão em cena tocando cello, piano, instrumentos orientais e rabeca. Além dos atores que formam a base do coletivo do Latão, o diretor Sérgio de Carvalho convidou artistas oriundos de diversos grupos para compor o elenco. Ney Piacentini e Helena Albergaria (integrantes do Latão desde a fundação) dividirão a cena com Carlota Joaquina e Luís Mármora, da Companhia S. Jorge de Variedades, Rogério Bandeira, sócio-fundador do Galpão de Folias, Rodrigo Bolzan, colaborador do Núcleo Argonautas, Cibele Jácome, do Teatro do Pequeno Gesto, e os atores Sidney Ferreira, Mafá Nogueira e Deborah Lobo. Os figurinos são de Fábio Namatame.
Grupo comemora 10 anos Fundado em São Paulo em 1996, o grupo inicia com a montagem de O círculo de giz caucasiano uma série de projetos para marcar seus 10 anos de atividades. "Recentemente, com a conquista de alguns prêmios de realização, iniciamos a produção de sete DVDs didáticos, registros e documentários, além de dois livros, um de teoria e outros de peças da companhia, todos em processo de elaboração", destaca Sérgio. Foram diversas as temporadas de repertório do Latão no Rio de Janeiro, entre as quais destacam-se a de 1999, quando o grupo apresentou quatro peças de seu repertório e a de 2005 no festival riocenacontemporânea. Falar em Brecht no teatro contemporâneo brasileiro leva inevitavelmente à trajetória desenvolvida pela Companhia do Latão, fundada com a peça Ensaio para Danton, adaptação de Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano da obra de Georg Büchner, A morte de Danton. No ano seguinte, em 1997, com a estréia de Ensaio sobre o Latão, também adaptação da dupla para A compra do Latão, de Brecht, a companhia consolida a opção de mergulhar no teatro dialético proposto por Brecht e tira deste trabalho a inspiração para seu nome. Com mais de dez espetáculos realizados, destacam-se no repertório do grupo os espetáculos Santa Joana dos Matadouros e O nome do sujeito (1998), A comédia do trabalho (2000), Auto dos bons tratos (2002), O mercado do gozo (2003), Visões siamesas e Equívocos relacionados (2004). A Companhia do Latão é reconhecida em todo o país como um dos principais grupos de influência brechtiana, capaz de reinventar sua herança com seriedade e imaginação crítica. "Curiosamente, esta será a segunda montagem que realizamos da obra de Brecht depois do Ensaio sobre o Latão, mas temos a fama de grupo brechtiano. Trabalho o tempo todo com o pensamento marxista", observa Sérgio de Carvalho, que é professor de Dramaturgia e Crítica na Universidade de São Paulo (USP). A proposta de unir teatro e reflexão, sempre buscando focalizar a função da arte, na pesquisa cênica, como propõe Brecht, foi o que orientou também a opção pela montagem de O círculo de giz caucasiano. "Trata-se de uma peça especial. É talvez a peça mais épica de Brecht e, ao mesmo tempo, é aquela em que ele apresenta uma espécie de confiança e otimismo, de que é possível transformar a realidade. De modo geral, o teatro brechtiano é de contradição e de teor negativo", explica. Na peça, Brecht debate a função da terra na sociedade. "No Círculo, Brecht faz as coisas darem certo a partir de um pano de fundo terrível", completa Sérgio. O círculo de giz caucasiano - foi escrito no final da Segunda Guerra Mundial, durante o exílio americano de Brecht, tendo como pano de fundo a discussão sobre a disputa de terras. Um grupo de agricultores e outro de criadores de cabras disputam a posse de um vale fértil, cuidado e defendido dos nazistas durante a guerra pelos agricultores. A questão chega a bom termo, dando lugar à uma fábula, a história do círculo de giz caucasiano, passada na Geórgia (antiga Gruzínia, no Cálcaso), sobre a disputa de uma criança. Os dois papéis cruciais da montagem, segundo Sérgio, são Gruxa e o juiz Azdak. "Eles são interpretados pela Helena Albergaria e pelo Ney Piacentini, também como forma de homenagear esses dois atores que desde o início estão na trajetória do Latão", situa o diretor. Uma curiosidade: no Berliner Ensemble, teatro fundado por Brecht, a montagem de O círculo de giz caucasiano previa elenco de 50 atores. Na montagem da Companhia do Latão 11 atores estarão em cena. |
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