ADUFF - SSind

Boletim Eletrônico da ADUFF
Gestão: "Combatividade - Autonomia e Democracia" - Biênio 2006/2008
Ano 6     10/12/2007  
   
 

MAQUIAGEM: Projeto de Expansão da UFF é na prática REUNI

Todos ao CUV nesta quarta, 12/12/2007, às 9h

 
     
 
 
Cartaz na Marcha em Brasília contra as Reformas, no dia 24/10.  
A ampla mobilização dos segmentos da universidade, em especial dos estudantes, impôs ao CUV a decisão de construir um Projeto de Expansão autônomo da UFF, fora dos marcos do REUNI e a partir de um Grupo de Trabalho (GT).

O último golpe da Reitoria foi ignorar o direito à autonomia das entidades representativas do movimento dos estudantes e dos técnicos elegerem seus representantes neste GT. Assim, o CUV escolheu os representantes dos estudantes e técnicos para compor o Grupo de Trabalho para a elaboração do projeto da UFF e, com isso, desrespeitou a prerrogativa legítima das entidades. Quem elege os representantes estudantis são estudantes! Representantes dos funcionários quem escolhe são os funcionários! Por isso, não reconhecemos esse GT para elaborar qualquer projeto para a UFF!

Esse GT deu um prazo minúsculo para contribuições, não realizou uma discussão do projeto nas unidades e muito menos no restante da Universidade. O resultado foi a apresentação de um projeto, que apesar de um grande esforço de maquiagem, não conseguiu esconder a intenção de manter-se na lógica do REUNI. E pasmem: O REITOR TENTOU APROVAR ESSE PROJETO NO ÚLTIMO CUV MESMO NÃO ESTANDO EM PAUTA.

 
     
     
 

A PALAVRA REUNI NÃO APARECE. SAIU O NOME, MAS FICOU A COISA.

 
     
 

O “novo” projeto nada mais é do que o velho projeto UFF/REUNI sem algumas das referências que demonstravam a adequação ao REUNI. Lendo o desatentamente o projeto até poderíamos acreditar na idéia da autonomia, mas lendo os anexos a maquiagem se desfaz.

Relação professor aluno - Não se menciona mais, na apresentação do projeto, a meta de estabelecer uma relação professor aluno de 1/18, nem a taxa de expansão das matrículas. Porém, o que está implícito na apresentação se explicita nos anexos, quando observamos que os projetos de criação de novos cursos trabalham, independentemente da especificidade do curso, com a relação professor/aluno de 1/18.

Bacharelados Interdisciplinares - Também não se menciona a matriz acadêmica do REUNI com os bacharelados interdisciplinares e os cursos de 2 a 3 anos. Mas ela está presente nos projetos anexos, como por exemplo, nos dos cursos de licenciatura e bacharelado do Pólo de Volta Redonda, pensados a partir de duas Unidades (uma de Humanas e outra de Exatas), em que os primeiros dois anos e meio dos quatro previstos de duração são cursados pelos alunos em básicos comuns. No caso dos cursos de exatas, há ainda a clara dissociação entre bacharelados e licenciaturas (os primeiros diurnos as segundas noturnas), provando que, para esta proposta, ensino e pesquisa não precisam ser indissociáveis.

Currículos flexíveis - também está presente no “novo” projeto, da apresentação aos anexos, a reestruturação do REUNI: ampla mobilidade acadêmica; flexibilidade curricular; itinerários formativos diversificados, etc.

Ensino à distância – Mantém-se a ênfase no Ensino à Distância (EAD), ainda que citado um número menor de vezes.

Recursos - Permanece presente a estimativa irreal de arrecadar verbas suplementares de 220 milhões de reais do governo nos próximos 5 anos (valor dezenas de milhões de reais superior aos 109 milhões estimado pela UFRJ no seu projeto). O “otimismo” dos elaboradores do projeto se sustenta ainda em omissões, como a da queda na média de avaliação de nossos cursos de pós-graduação pelos dados divulgados este semestre pela CAPES. Por isso, preferem manter uma tabela com o registro de 2006.

Precarização – A reestruturação das IFES proposta pelo governo vai justamente ao encontro da idéia de formação de um profissional “mais flexível” para o mercado de trabalho. Na UFF, o resultado da aplicação do “novo” projeto de expansão para o trabalho docente será evidente: aumento do número de alunos em sala de aula, principalmente nas licenciaturas, com conseqüente aumento da carga de trabalho vinculada ao ensino e, portanto, maiores limitações para a dedicação à pesquisa e à extensão. Em nossa universidade, os elaboradores do projeto vão mais longe na precarização do trabalho docente, institucionalizando como proposta da própria Universidade aquilo que a CAPES vem forçando os programas de pós a fazer: estágio docência para alunos de pós-graduação. Ou seja, faltarão professores, mas amenizaremos a situação pagando uma bolsa para que mestrandos e doutorandos possam assumir turmas na graduação.

 
     
     
 

Vamos à luta:
trocaram o professor por um video tape

 
     
 

Para compensar a superlotação das salas de aula, principalmente, nos cursos básicos comuns dos primos pobres da expansão (os campi do interior), o GT arrumou algumas soluções: como os professores (e até os “bolsistas docência”) serão escassos, os estudantes deverão buscar apoio em tutores e monitores. Em Volta Redonda, por exemplo, prevê-se uma sala de monitoria/tutoria funcionando em tempo integral, com monitores/tutores, computadores, e ferramentas de Educação à distância, para que os estudantes tentem sanar dúvidas, que numa sala com 120 alunos nenhum professor conseguiria tirar. Na sede, constatado que há cursos com alto índice de reprovação, o que tenderá a piorar com as salas mais cheias, a proposta é disponibilizar aulas filmadas. Sem conseguir resolver suas dúvidas em sala, com professores presentes, como farão os estudantes para perguntar alguma coisa para o video tape de uma aula? Será que a interatividade da TV digital resolverá este problema?

 
     
     
 

NÃO AO REUNI,
NÃO À SUA NOVA MAQUIAGEM!

 
     
 

Em suma, a “nova” proposta de Expansão da UFF é uma falácia. Trata-se do mesmo projeto de adaptação da Universidade ao REUNI, mal travestido de projeto autônomo. Por isso, querem aprová-lo a toque de caixa, ao apagar das luzes do fim de ano. Cabe-nos reacender a chama da mobilização de outubro/novembro para demonstrar à reitoria e ao CUV, que a UFF continua dizendo não ao REUNI, mesmo nesta sua nova versão mal-disfarçada.Este é um projeto que não ousa dizer seu nome!

 
     
     
 

Encontro unificado discute projeto autônomo para UFF

 
     
 
 
Estudantes, professores e técnicos administrativos
participaram do encontro.
 
No dia 5 dezembro, estudantes, técnicos e professores realizaram um primeiro encontro em que se discutiu princípios e metodologias para um projeto autônomo de uma Universidade pública, totalmente gratuita, de qualidade cuja principal referência seja os interesses da maioria da população brasileira, os trabalhadores. No próximo boletim das entidades publicaremos um relatório desse rico encontro.

ADUFF - SINTUFF - DCE

 
     
     
     
     
 

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