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Docentes rechaçam tentativa de constituição de sindicato da CUT/Proifes |
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Em assembléia realizada no sábado (6/9), eles reafirmaram a legitimidade do ANDES-SN como o único sindicato dos docentes do ensino superior do país Fonte: ANDES-SN
Ao reafirmarem a legitimidade do ANDES-Sindicato Nacional, os professores rejeitaram, por unanimidade, a pretensa nova entidade. "Nos quase 30 anos de existência do ANDES-SN, sempre realizamos assembléias de portas abertas à participação de todos, inclusive da imprensa. Eles obstruíram a entrada de um número de professores pelo menos duas vezes superior ao que já estava lá dentro. Esse tipo de procedimento é absolutamente incompatível com o edital de convocação dessa assembléia, porque fere o direito de manifestação da categoria e, portanto, é irregular", ressaltou o presidente do ANDES-SN, Ciro Teixeira Correia, que, por ser professor de uma universidade estadual (USP), também foi impedido de entrar no local. Estratégias de obstrução
No rol da estratégia de obstrução, a CUT/Proifes impos aos docentes que pretendiam participar da AG para dizer não a constituição do tal sindicato uma série de impedimentos e constrangimentos pessoais. Submeteu os docentes a filmagem para entrarem no prédio e tentar o credenciamento, realizado mediante preenchimento de formulários, exigiu a comprovação da docência em IFES por meio de apresentação da identidade e contracheque, realizou revista dos professores e a apreensão de celulares, câmeras fotográficas, filmadoras e gravadores. Ou seja, o novo sindicato, além de dividir a categoria e enfraquecer o Movimento Docente, foi criado às escuras.
De acordo com o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Antonio Lisboa, um dos que conseguiram entrar na assembléia, a mesa organizadora proibiu qualquer manifestação deles, que não tiveram sequer direito a fala ou informes. "Ninguém, além da mesa, fez uso da palavra; ninguém mostrou ou leu o conteúdo das procurações", acrescentou. Os professores impedidos de entrar representavam 36 seções sindicais do ANDES-SN de todas as regiões do país. Para reafirmar sua vontade de representação pelo Sindicato Nacional, todos assinaram a ata da assembléia realizada ao ar livre. O documento relata todos os atos de obstrução da CUT/Proifes contra a livre participação dos docentes. No final da tarde, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) prestou seu apoio ao Sindicato Nacional e pediu que o relato seja enviado ao seu gabinete. Ele se comprometeu a enviar o relatório ao Ministério do Trabalho e à CUT, pedindo esclarecimentos sobre o modo como a CUT/Proifes tentam constituir esse sindicato. Fundação do ANDES-SN resultou de amplo debate da categoria
Ele ressaltou que a fundação do Sindicato Nacional se deu num congresso convocado e composto por delegações de todo o país, em local público e com amplo acesso da imprensa e de todos que pudessem testemunhar o evento. "O que aconteceu aqui hoje foi justamente o processo inverso. Querem criar um sindicato sem a participação da base que dizem representar. Esse procedimento é inaceitável e nós temos certeza de que a categoria saberá responder a essa provocação", afirmou. Apoios declarados Entre os professores impedidos de participar da assembléia, vários ex-dirigentes do Sindicato Nacional estavam presentes e manifestaram seu descontentamento com a forma ilegítima como a CUT/Proifes criaram o novo sindicato. "Esse procedimento que eles adotaram obstruiu, impossibilitou a nossa participação", afirmou Marina Barbosa, presidente da ADUFF - Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense, ex-presidente do Andes-SN. Roberto Leher, também ex-presidente do ANDES-SN, disse que "a história do ANDES-SN se confunde com a construção da universidade pública brasileira. Ele lembrou que os docentes, desde a ditadura empresarial militar nos anos 60, organizaram associações justamente para defender a autonomia universitária. Leher também lembrou das lutas conjuntas com os demais servidores públicos para conquistar o direito à organização sindical, que veio com a Constituição de 88. "Após a promulgação da Constituição, levamos dois anos discutindo na base se iríamos criar o Sindicato Nacional, por meio de debates públicos e congressos". A estudante da USP, Camila Lisboa, representante da Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes - Conlute, também manifestou o apoio dos estudantes ao ANDES. "Esse sindicato significa muito para a defesa da educação pública, na luta contra o REUNI, contra projeto do governo federal para as universidades, que ataca não só as universidades, mas também o movimento estudantil, o movimento docente e o movimento dos trabalhadores técnico-administrativos. Acreditamos que a organização unitária dos professores, funcionários e estudantes fortalecerá não só a luta em defesa da autonomia da universidade, mas uma luta em defesa da autonomia do movimento sindical e do movimento estudantil. Por isso, colocamos toda a solidariedade e vigor que mostramos nas ocupações das reitorias à disposição do ANDES-SN, esse sindicato combativo que o movimento estudantil combativo reconhece como aliado para a luta em defesa da educação pública desse país". O presidente da CONLUTAS, José Maria de Almeida, também participou da assembléia realizada pelos docentes do ANDES-SN, manifestando seu apoio ao que considera o único e legítimo sindicato nacional da categoria. Também se manifestou o companheiro Paulo Pasin, metroviário se São Paulo, representando a INTERSINDICAL, que registrou a importância do ANDES-SN para os demais sindicatos e trabalhadores justamente por ser uma entidade combativa e independente, com uma elaboração que sempre contribui na luta por uma vida melhor para os trabalhadores. Ressentimento da CUT Ao final da assembléia-relâmpago, o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, foi questionado pelos jornalistas sobre o motivo pelo qual não puderam fazer a cobertura da assembléia. O cutista deixou transparecer todo ressentimento pelo fato de o ANDES-SN ter se desfiliado da Central: "Se vocês saíram da CUT, o que querem aqui?". E na tentativa de justificar a forma antidemocrática como o novo sindicato foi criado, afirmou: "a CUT está agindo como sempre agiu". O que não é verdade, já que a atitude da CUT e do PROIFES lembra justamente a atitude dos antigos pelegos do movimento sindical contra os quais a CUT lutava na sua origem. Hoje, o lamentável é ver esta Central usando os métodos que criticava e combatia. Cutistas apóiam ANDES-SN José Vitório Zago, 1° tesoureiro do ANDES-SN, lembrou que a ação da CUT/Proifes contra o Sindicato Nacional tem sido rechaçada até por entidades filiadas à central. "Entre as manifestações de apoio que recebemos na última semana, tivemos apoio de dois sindicatos cutistas, o SINTEPES, que integra o Fórum das Seis, e do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro. Ambos aprovaram moções de apoio ao ANDES-SN. Outra entidade filiada à CUT, a CONDSEF, registrou na ata da última reunião de sua diretoria executiva um protesto contra a perseguição que o ANDES vem sofrendo. Firmeza na luta
Os rumos do Sindicato Nacional deverão ser discutidos no III Congresso Extraordinário, que será realizado este mês em Brasília, de 19 a 21 de setembro. |
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