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Conferência lnaugural da ADUFF discute crise econômica |
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No dia 26 de março, foi realizada a conferência inaugural da ADUFF no Auditório Florestan Fernandes. Aproveitando um tema que está na ordem do dia, nossa associação docente promoveu um debate sobre a crise econômica mundial e suas implicações para a universidade brasileira. A mesa foi composta pelos professores Marcelo Carcanholo, da Faculdade de Economia da UFF e Roberto Leher, da Faculdade de Educação da UFRJ. O que se seguiu a partir das intervenções de ambos os debatedores foi uma interessante e enriquecedora conferência inaugural. O pontapé inicial do debate foi dado pelo professor Marcelo Carcanholo, que fez uma exposição bastante didática acerca do caráter da crise econômica que o mundo enfrenta neste momento. Para quem está acostumado a ouvir as indecifráveis explicações emitidas pelos tecnocratas midiáticos de plantão, a explanação do professor Carcanholo foi simplesmente esclarecedora. Ele iniciou sua intervenção dizendo que, por conta do funcionamento cíclico do capitalismo, a crise econômica atual não é surpresa para ninguém e que suas raízes podem ser encontradas na maneira como se resolveu a última grande crise capitalista, na década de 70: através da financeirização da economia e do recurso ao chamado capital fictício. Após uma longa e elucidativa explicação sobre o que é o capital fictício e qual a sua relação com a crise do mercado imobiliário subprime norte-americano, o professor passou a tecer considerações sobre os reflexos desse processo no Brasil. Tsunami – o professor também afirmou que, quando Lula foi eleito presidente, em 2002, o capital fictício estava sobrando. Isso foi assim até o final de 2006. Esse período, que corresponde exatamente ao primeiro mandato Lula da Silva, foi marcado por um crescimento da economia no mundo todo. No caso do Brasil, esse crescimento foi, em larga medida, sustentado pelas exportações de commodities, cujos preços no mercado se elevaram em função do aumento da demanda por esses produtos. Como consequência, o saldo da balança comercial era ótimo e o país chegou a acumular um montante de 200 milhões de dólares em reservas internacionais. No entanto, ao final de 2006, acaba a fase boa do capital fictício. Assim, os fluxos de capital se escasseiam em todo o mundo, o que se reflete no Brasil: os juros param de cair no ritmo em que vinham caindo até então e diminuem os investimentos na produção. O resultado foi sintetizado por Marcelo Carcanholo em uma frase: “A marolinha virou tsunami.” O professor esclareceu que o que o presidente Lula viveu em termos de momento econômico até 2006 foi resultado de um movimento conjuntural, agora já esgotado. Diante disso, alertou para as conseqüências da crise que já se fazem sentir sobre os ombros da classe trabalhadora: “Nosso aumento subiu no telhado; os concursos subiram no telhado; o telhado é de vidro. Eles vão ter que comprar briga com alguém para promover o ajuste que pretendem. A pergunta é: com quem eles vão comprar a briga? Com quem eles sempre compram?” A imagem da crise - o professor Roberto Leher iniciou sua intervenção no debate sustentando a tese de que é necessário que os movimentos sociais travem também uma dura batalha neste momento para definir a imagem que a atual crise econômica terá para as pessoas. Segundo ele, quem vencer essa batalha estará em vantagem na definição dos desdobramentos da crise em termos da luta política. Em seguida, justificou essas afirmações iniciais através do argumento de que os neoliberais foram os que melhor construíram a imagem da crise capitalista dos anos 70 e que a conseqüência disso foi que conseguiram impor o seu conjunto de soluções para a questão. Na época da última grande crise capitalista, os neoliberais conseguiram convencer a opinião pública de que o problema da economia estava no tamanho do Estado, então responsável pela regulação do trabalho através de um conjunto de leis. A partir dessa construção ideológica, a saída que apontaram para a crise foi a diminuição do Estado e o enfraquecimento da idéia de que o trabalho deveria ser regulado. Desde então, o foco das políticas sociais de Estado se deslocou dos trabalhadores desempregados para a categoria abstrata dos “pobres”. Criou-se uma verdadeira “pobretologia”, com políticas sociais ajustadas a cada um dos grupos sociais marginalizados. Ou seja, a política social, antes de caráter universalizante, passou a ser focalizada, fragmentada e executada em moldes quase caritativos. Leher chamou a atenção para o fato de que, neste momento, novamente os setores dominantes da sociedade têm trabalhado na construção de uma imagem para a crise. Ele argumentou que a crise tem sido apresentada pelas classes dominantes com se fosse exclusivamente financeira, quando, na realidade, possui dimensões muito maiores em termos econômicos, ambientais e alimentares. Organização dos trabalhadores - segundo Leher, os capitalistas agora dizem que a crise no sistema financeiro se deve à movimentação irresponsável de títulos porque esta imagem é conveniente para apontar uma saída conservadora: a recuperação da economia real através do aumento da extração de mais-valia. O professor refletiu sobre a forma como esse processo tende a se dar no Brasil. Na opinião dele, será através de uma liberalização ainda maior da economia e do aprofundamento da especialização regressiva do país na produção de commodities. Como o aparato educacional terá que se ajustar a essa especialização regressiva, Leher apontou para um cenário de multiplicação de cursos aligeirados, de menor custo e formação massificada em todos os níveis de ensino. Esta já é a lógica embutida em dois recentes decretos do governo federal para a pasta da educação: o do REUNI e o dos IFET´s. Por fim, o professor dá a medida do desafio colocado para os movimentos sociais neste momento: “A crise não é parteira da revolução. A única possibilidade de sairmos dessa crise enfrentando a barbárie é a auto-organização dos trabalhadores. É preciso impedir que se consolide a imagem de que agora temos que apertar os cintos, expropriar o que for possível, saquear o que for necessário no país, pois essa é a única alternativa para sairmos da crise. É preciso impedir que a universidade entre na engrenagem da desregulamentação dos direitos do trabalho e do desmonte da sociedade do trabalho em favor das teses da pobreza. Esse é o discurso do capital, a imagem que a barbárie pretende criar para a crise. Precisamos trabalhar em outros marcos nessa disputa ideológica.” As intervenções dos professores Marcelo Carcanholo e Roberto Leher garantiram, cada uma a seu modo, uma grande contribuição à nossa conferência inaugural desse semestre. Os presentes ao debate saíram do auditório não só compreendendo melhor o caráter e as causas da crise, mas também cientes dos desafios que estão colocados para a sua superação.
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Dia Nacional de Lutas contra a redução de salários e direitos enche as ruas do centro do Rio |
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Desde o final do ano passado, a chegada da crise econômica ao Brasil tem significado para os trabalhadores e a juventude diversos ataques a direitos históricos. Hoje, é quase impossível ligar a televisão e não ouvir falar em demissões, redução de salários, redução “temporária” de direitos trabalhistas. Tudo isso está na ordem do dia. Como sempre ocorre em momentos de crise econômica, o capital promove uma ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores. Diante desse cenário, 30 de março foi definido por um amplo conjunto de centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais como o Dia Nacional de Lutas contra a redução de salários e direitos. Nessa data foi realizada uma grande passeata no centro do Rio, que contou com a participação de cerca de 2 mil pessoas entre trabalhadores e estudantes. A manifestação teve como ponto de partida a Candelária, seguiu pela Av. Rio Branco e terminou na Rua República do Chile, nas proximidades dos prédios da Petrobrás e do BNDES. Esse ato surgiu a partir de um grande esforço de unidade entre os mais diversos setores do movimento social: da Força Sindical à CONLUTAS, do PSOL ao PCdoB, do MST à entidades estudantis. A professora Marina Barbosa, presidente da ADUFF, ressaltou a importância da unidade dos trabalhadores neste momento. "Os trabalhadores demonstraram através deste ato que têm disposição para reagir aos ataques que têm sofrido. O esforço para garantir a unidade na luta neste momento será muito importante para essa reação", afirmou. Além da presença da professora Marina, o ato contou também com a participação do diretor da ADUFF, professor Juarez Duayer, da professora Sônia Lúcio e do professor Marcelo Badaró.
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