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Boletim Eletrônico da ADUFF
Gestão Autônoma, Democrática e de Luta - Biênio 2008/2010
Ano 8     27/10/2009  

 

Seminário da ADUFF atualiza pauta interna de reivindicações dos docentes

Docentes participam do seminário sobre pauta interma.
Docentes participam do seminário sobre pauta interma.

Na manhã do dia 07 de outubro, a ADUFF promoveu seu seminário de atualização da pauta interna dos docentes da UFF. Esse seminário ocorre anualmente, podendo haver edições extraordinárias sempre que for preciso uma atualização do plano de lutas da categoria. O documento produzido a partir das discussões do seminário será protocolado junto à reitoria da universidade, como acontece todo ano. Essa pauta interna de reivindicações serve como balizador das lutas de nossa seção sindical, norteando nossas ações em defesa da categoria docente e da universidade pública. Dada a sua importância, ela deve ser conhecida não somente pela reitoria, mas por todos os professores da universidade. Desse modo, disponibilizamos o documento agora para o conhecimento de todos.

 

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Pauta interna dos docentes da UFF

Nas duas últimas duas décadas, a política educacional proposta do governo federal vem alterando o modelo de financiamento, as relações de trabalho e os projetos pedagógico-formativos e transferiu em boa parte a resolução dos conflitos que abrangem o trabalho docente para o âmbito das administrações locais. Este processo acirrou-se desde 2003, com a expansão do ensino à distância, a implementação do REUNI e o incentivo à expansão da educação superior via setor privado (PROUNI).

A atualização da pauta interna dos docentes da UFF responde, pois, a um momento de reordenamento do ensino superior no país, que reforça o caminho de privatização e negação da educação superior como um direito social e dever do Estado.

Neste contexto de retrocesso social, cabe a reafirmação das três atividades essenciais da educação superior:

  1. a formação de profissionais qualificados, socialmente responsáveis, dotados de discernimento crítico;
  2. o desenvolvimento de pesquisa original, autônoma, promovida por seu quadro funcional e pelos estudantes;
  3. a extensão à sociedade dos produtos culturais acumulados pela instituição.

Tomando por base essa compreensão, é imperiosa a reversão do predomínio da iniciativa privada no setor e a garantia do princípio da universalidade do direito ao acesso e à permanência. Exige-se desse modo a ampliação do financiamento público e democratização em sua aplicação e fortalecimento da autonomia universitária, conforme garantida no art. 207 da Constituição Federal de 1988. Neste sentido, reivindicamos:

 

FINANCIAMENTO

  • o compromisso da administração superior da Universidade de lutar pela garantia e ampliação de verbas públicas para manutenção, custeio e expansão da Universidade;
  • o compromisso da reitoria e do MEC com a derrubada dos vetos do governo FHC (1995-2002), mantido pelo atual governo (2003- 2010), sobre a aplicação de recursos financeiros equivalentes a 7% do PIB para a educação pública em todos os níveis de ensino como havia sido previsto no Plano Nacional de Educação - PNE (lei n.10.172/2001). A derrubada desse veto constitui um passo inicial na direção do alcance da meta do PNE – Proposta da Sociedade Brasileira (1997), de alocação de 10% do PIB para a educação pública até o final da década;
  • o compromisso da reitoria e do MEC para que o Estado financie o ensino, a pesquisa e as atividades de extensão nas universidades públicas, destinando-lhes recursos orçamentários em montante não inferior a 12% do Orçamento da União, em dotação específica para a educação e vinculada a este fim;
  • o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique do governo federal a interrupção das isenções fiscais para as instituições de ensino superior privado, como as concedidas através do PROUNI, bem como a alocação de recursos públicos para a contratação de empresas privadas destinada à política de avaliação da universidade pública;
  • uma gestão efetivamente democrática e transparente dos recursos financeiros, o que exige a publicização ampla das contas públicas prioritariamente nas páginas virtuais da UFF e de cada unidade, acompanhada do debate sobre a alocação das verbas no interior da universidade;
  • a abolição de todas as taxas escolares, garantindo a plena gratuidade das atividades de ensino (graduação e pós-graduação), pesquisa e extensão desenvolvidas na universidade pública;
  • a imediata conversão de todos os cursos pagos em cursos plenamente gratuitos e ressarcimento imediato aos estudantes que já pagaram por tais cursos;
  • a ampliação de recursos públicos para o Hospital Universitário Antonio Pedro – mantendo-o vinculado ao Ministério da Educação e como uma instituição pública e não fundacional - a fim de que este, sem abrir mão da responsabilidade na prestação da assistência e do papel de formação do Hospital-Escola, possa cumprir as finalidades características de um hospital universitário;
  • a garantia de funcionamento noturno das bibliotecas e nos fins de semana, com o aumento efetivo do número de títulos, manutenção dos equipamentos de ar condicionado e computadores;

 

DEMOCRACIA

  • o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique a revogação da atual legislação concernente à eleição para reitores das IFES. A eleição de reitor e vice-reitor deve ser realizada por meio de votação direta e secreta, com a participação, no mínimo, paritária dos docentes, discentes e técnico-administrativos, encerrando-se o processo no âmbito da Instituição;
  • a abolição da indicação de diretores pela Reitoria no Colégio Universitário e outras Unidades/Pólos e realização de eleições diretas, no mínimo paritárias;
  • o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a rubrica assistência estudantil componha os orçamentos anuais, visando assegurar material pedagógico, alimentação, creche, moradia, transportes e sua aplicação seja definida a partir de comissões paritárias;
  • o exercício de uma gestão político-administrativa das IFES comprometida com a defesa do caráter público da universidade;
  • o debate efetivo sobre o Plano de Desenvolvimento Institucional e o Estatuto, que constituem importantes instrumentos definidores da estrutura e finalidades da universidade, bem como do planejamento das atividades acadêmicas e administrativas da UFF;
  • a não ingerência dos Fóruns de Diretores e de Coordenadores nas instâncias colegiadas e o fortalecimento e respeito às instâncias deliberativas e colegiadas da Universidade;
  • a garantia do direito de manifestação dos movimentos docentes, estudantil e de técnico-administrativos;

 

CONCURSO PÚBLICO – VAGAS

  • o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique ao MEC a revogação da portaria “Banco de Professor Equivalente” (Portaria Normartiva Interministerial nº 22, de 30 de abril de 2007) e que assegure às IFES o direito de prover os cargos de servidores públicos, docentes e técnico-administrativos;
  • a reposição das vagas de docentes aposentados desde a década de 1990, para além das vagas originadas pelo REUNI assegurando que o passivo seja resolvido;

 

CONDIÇÃO DE TRABALHO E ACESSO

  • a garantia de funcionamento pleno da universidade das 08 às 22 horas;
  • a ampliação do número de cursos noturnos, com garantia de qualidade e infra-estrutura necessária como o funcionamento da biblioteca e do restaurante universitário;
  • a discussão de uma nova concepção de segurança da universidade, com o fim das terceirizações, visando garantir a defesa do patrimônio público e o direito de ir e vir com tranqüilidade;
  • a criação de postos médicos descentralizados, por campus, que garantam o atendimento de pronto-socorro em situações de emergência à comunidade acadêmica;
  • a concretização de um Programa de Saúde do Trabalhador na universidade;
  • a ampliação das vagas e melhoria das condições de funcionamento na creche da UFF, para docentes, técnico-administrativos e discentes;
  • a elaboração de uma política de ampliação das bolsas de Iniciação Científica, extensão, monitoria e treinamento, como parte do trabalho acadêmico, com garantia de valores dignos, e não utilização dos bolsistas como substitutos precarizados de servidores técnico-administrativos;
  • que as verbas de pesquisa acadêmica sejam ampliadas e os critérios de distribuição dos recursos sejam acadêmicos e não mercantis;
  • a disponibilização pelas unidades de ensino de recursos apropriados às condições do trabalho docente, como salas adequadas, apoio técnico-administrativo e acesso a materiais permanentes e de consumo;
  • o apoio da reitoria às experiências educacionais implementadas em conjunto com os movimentos sociais;
  • fim das terceirizações;
  • que a reitoria e o Conselho Universitário da UFF articulem esforços no sentido de garantir uma política de interiorização da universidade pautada na gratuidade, qualidade e indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão;

 

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Participe das atividades da ADUFF programadas para o mês de outubro

Programação do evento "Professor: fundamental para a sociedade"

 

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