A consulta à comunidade universitária será realizada de terça a quinta-feira, dias 18, 19 e 20 de maio. São 35.977 eleitores aptos a votar (2.781 professores, 3.886 servidores técnico-administrativos e 29.310 estudantes).
A ADUFF, historicamente, não adere a candidaturas, mas reafirma junto aos candidatos sua Pauta Interna de Reivindicações, prezando pela autonomia da entidade e reafirmando princípios caros e históricos ao movimento docente, como a defesa de uma Universidade Pública, Gratuita, Autônoma, Democrática e Laica. Foi o que ocorreu nas gestões anteriores e o que se reafirma na atual gestão.
Confira aqui a Pauta Interna dos Docentes da UFF, atualizada em Seminário de 2009.
Pauta interna dos docentes da UFF
Nas duas últimas duas décadas, a política educacional proposta do governo federal vem alterando o modelo de financiamento, as relações de trabalho e os projetos pedagógico-formativos e transferiu em boa parte a resolução dos conflitos que abrangem o trabalho docente para o âmbito das administrações locais. Este processo acirrou-se desde 2003, com a expansão do ensino à distância, a implementação do REUNI e o incentivo à expansão da educação superior via setor privado (PROUNI).
A atualização da pauta interna dos docentes da UFF responde, pois, a um momento de reordenamento do ensino superior no país, que reforça o caminho de privatização e negação da educação superior como um direito social e dever do Estado.
Neste contexto de retrocesso social, cabe a reafirmação das três atividades essenciais da educação superior:
- a formação de profissionais qualificados, socialmente responsáveis, dotados de discernimento crítico;
- o desenvolvimento de pesquisa original, autônoma, promovida por seu quadro funcional e pelos estudantes;
- a extensão à sociedade dos produtos culturais acumulados pela instituição.
Tomando por base essa compreensão, é imperiosa a reversão do predomínio da iniciativa privada no setor e a garantia do princípio da universalidade do direito ao acesso e à permanência. Exige-se desse modo a ampliação do financiamento público e democratização em sua aplicação e fortalecimento da autonomia universitária, conforme garantida no art. 207 da Constituição Federal de 1988. Neste sentido, reivindicamos:
FINANCIAMENTO
- o compromisso da administração superior da Universidade de lutar pela garantia e ampliação de verbas públicas para manutenção, custeio e expansão da Universidade;
- o compromisso da reitoria e do MEC com a derrubada dos vetos do governo FHC (1995-2002), mantido pelo atual governo (2003- 2010), sobre a aplicação de recursos financeiros equivalentes a 7% do PIB para a educação pública em todos os níveis de ensino como havia sido previsto no Plano Nacional de Educação - PNE (lei n.10.172/2001). A derrubada desse veto constitui um passo inicial na direção do alcance da meta do PNE – Proposta da Sociedade Brasileira (1997), de alocação de 10% do PIB para a educação pública até o final da década;
- o compromisso da reitoria e do MEC para que o Estado financie o ensino, a pesquisa e as atividades de extensão nas universidades públicas, destinando-lhes recursos orçamentários em montante não inferior a 12% do Orçamento da União, em dotação específica para a educação e vinculada a este fim;
- o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique do governo federal a interrupção das isenções fiscais para as instituições de ensino superior privado, como as concedidas através do PROUNI, bem como a alocação de recursos públicos para a contratação de empresas privadas destinada à política de avaliação da universidade pública;
- uma gestão efetivamente democrática e transparente dos recursos financeiros, o que exige a publicização ampla das contas públicas prioritariamente nas páginas virtuais da UFF e de cada unidade, acompanhada do debate sobre a alocação das verbas no interior da universidade;
- a abolição de todas as taxas escolares, garantindo a plena gratuidade das atividades de ensino (graduação e pós-graduação), pesquisa e extensão desenvolvidas na universidade pública;
- a imediata conversão de todos os cursos pagos em cursos plenamente gratuitos e ressarcimento imediato aos estudantes que já pagaram por tais cursos;
- a ampliação de recursos públicos para o Hospital Universitário Antonio Pedro – mantendo-o vinculado ao Ministério da Educação e como uma instituição pública e não fundacional - a fim de que este, sem abrir mão da responsabilidade na prestação da assistência e do papel de formação do Hospital-Escola, possa cumprir as finalidades características de um hospital universitário;
- a garantia de funcionamento noturno das bibliotecas e nos fins de semana, com o aumento efetivo do número de títulos, manutenção dos equipamentos de ar condicionado e computadores;
DEMOCRACIA
- o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique a revogação da atual legislação concernente à eleição para reitores das IFES. A eleição de reitor e vice-reitor deve ser realizada por meio de votação direta e secreta, com a participação, no mínimo, paritária dos docentes, discentes e técnico-administrativos, encerrando-se o processo no âmbito da Instituição;
- a abolição da indicação de diretores pela Reitoria no Colégio Universitário e outras Unidades/Pólos e realização de eleições diretas, no mínimo paritárias;
- o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a rubrica assistência estudantil componha os orçamentos anuais, visando assegurar material pedagógico, alimentação, creche, moradia, transportes e sua aplicação seja definida a partir de comissões paritárias;
- o exercício de uma gestão político-administrativa das IFES comprometida com a defesa do caráter público da universidade;
- o debate efetivo sobre o Plano de Desenvolvimento Institucional e o Estatuto, que constituem importantes instrumentos definidores da estrutura e finalidades da universidade, bem como do planejamento das atividades acadêmicas e administrativas da UFF;
- a não ingerência dos Fóruns de Diretores e de Coordenadores nas instâncias colegiadas e o fortalecimento e respeito às instâncias deliberativas e colegiadas da Universidade;
- a garantia do direito de manifestação dos movimentos docentes, estudantil e de técnico-administrativos;
CONCURSO PÚBLICO – VAGAS
- o compromisso da administração superior da universidade de lutar para que a ANDIFES reivindique ao MEC a revogação da portaria “Banco de Professor Equivalente” (Portaria Normartiva Interministerial nº 22, de 30 de abril de 2007) e que assegure às IFES o direito de prover os cargos de servidores públicos, docentes e técnico-administrativos;
- a reposição das vagas de docentes aposentados desde a década de 1990, para além das vagas originadas pelo REUNI assegurando que o passivo seja resolvido;
CONDIÇÃO DE TRABALHO E ACESSO
- a garantia de funcionamento pleno da universidade das 08 às 22 horas;
- a ampliação do número de cursos noturnos, com garantia de qualidade e infra-estrutura necessária como o funcionamento da biblioteca e do restaurante universitário;
- a discussão de uma nova concepção de segurança da universidade, com o fim das terceirizações, visando garantir a defesa do patrimônio público e o direito de ir e vir com tranqüilidade;
- a criação de postos médicos descentralizados, por campus, que garantam o atendimento de pronto-socorro em situações de emergência à comunidade acadêmica;
- a concretização de um Programa de Saúde do Trabalhador na universidade;
- a ampliação das vagas e melhoria das condições de funcionamento na creche da UFF, para docentes, técnico-administrativos e discentes;
- a elaboração de uma política de ampliação das bolsas de Iniciação Científica, extensão, monitoria e treinamento, como parte do trabalho acadêmico, com garantia de valores dignos, e não utilização dos bolsistas como substitutos precarizados de servidores técnico-administrativos;
- que as verbas de pesquisa acadêmica sejam ampliadas e os critérios de distribuição dos recursos sejam acadêmicos e não mercantis;
- a disponibilização pelas unidades de ensino de recursos apropriados às condições do trabalho docente, como salas adequadas, apoio técnico-administrativo e acesso a materiais permanentes e de consumo;
- o apoio da reitoria às experiências educacionais implementadas em conjunto com os movimentos sociais;
- que a reitoria e o Conselho Universitário da UFF articulem esforços no sentido de garantir uma política de interiorização da universidade pautada na gratuidade, qualidade e indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão;
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Os docentes — reunidos em Assembléia Geral — realizaram um debate sobre o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), que visa à formação de uma nova Central sindical. O CONCLAT será realizado nos dias 5 e 6 de junho, próximo ao 2º Congresso Nacional da CONLUTAS, que ocorrerá dias antes, em Santos – SP.
A Assembléia elegeu os delegados: Gelta Terezinha Ramos Xavier, Juarez Torres Duayer, Sonia Lucio Rodrigues de Lima, Marina Barbosa Pinto (observadora) e Claudia March Frota de Souza (suplente).
Foram discutidas as polêmicas relativas aos Congressos e marcado um seminário preparatório ao Congresso (Conclat e Conlutas) para 31 de maio de 2010.
Mais informações: www.congressodaconlutas.org.br e www.congressodaclassetrabalhadora.org
Conselho de Representantes e Visitas às Unidades A Diretoria informou na AG que fará visitas às Unidades, em junho e início do segundo semestre, com vistas à mobilização dos docentes e formação do Conselho de representantes da ADUFF em cada unidade. As eleições para o Conselho estão previstas para o segundo semestre deste ano.
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