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Boletim Eletrônico da ADUFF
Gestão LUTAR NA VOZ ATIVA (biênio 2010-2012)
Ano 10     17/02/2011  

 

Entidades reafirmam importância histórica do ANDES-SN durante abertura do 30º Congresso

"Nesses 30 anos, queremos olhar para o passado com o objetivo de renovar nossa militância para as lutas que se anunciam como necessárias e que mantenham o ANDES-SN na trilha dos caminhos de liberdade, autonomia e democracia sindical, de defesa da educação pública e gratuita em todos os níveis e de um projeto de sociedade realmente humana e democrática".

As palavras com que a presidente do ANDES-SN, Marina Barbosa, declarou aberto o 30º Congresso da entidade, na noite desta segunda-feira (14/2), sintetizaram a proposta do encontro, do qual participam cerca de 400 docentes de todo o país em Uberlândia até o próximo domingo (20/2): buscar inspiração na trajetória combativa do Sindicato Nacional ao longo de sua história, identificar desafios e apontar ações do Movimento Docente para o próximo período.

Estudante da Faculdade de Direito participa do plebiscito sobre os cursos pagos.

Antes do início das saudações dos representantes das entidades e movimentos que compuseram a mesa da plenária de abertura, o professor Mohamed Habib, egípcio radicado no Brasil, dividiu com o público — que lotou o auditório da UFU — a experiência sobre o levante ocorrido em seu país, resgatando o contexto sócio-histórico das lutas populares e apontando possíveis desdobramentos no mundo árabe.

O papel que o ANDES-SN desempenha na articulação das entidades comprometidas com a classe trabalhadora em um momento político como o atual, em que estão previstas reformas e medidas que ameaçam direitos básicos como a educação, retiram conquistas dos trabalhadores e precarizam o serviço público (como as reformas da previdência e tributária, a MP 520 e o PL 549), foi reafirmado nas saudações dos componentes da mesa.

Para José Maria de Almeida, da CSP-Conlutas, "o corte anunciado de R$ 50 bilhões do orçamento deste ano indica para onde caminha a prioridade do financiamento por parte desse governo, longe de se materializar a prioridade na educação anunciada por Dilma Rousseff em rede nacional de televisão dias atrás. Vamos ver seguramente menos investimentos com educação, com políticas sociais e serviços públicos de forma geral para que se possa aumentar ainda mais o repasse de recursos públicos para o pagamento da dívida pública e para o financiamento da rentabilidade dos banqueiros" – ressaltou. O dirigente afirmou, também, que a CSP-Conlutas, "com a contribuição fundamental do ANDES-SN, está empenhada em construir um amplo processo de unidade de ação que nos permita resistir contra essas medidas anunciadas pelo governo".

Para Ricardo Eugênio, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), "o ANDES-SN ensinou o que é lutar para que a população compreenda o que significa a vitória. É importante que sempre acreditemos que só com a unidade podemos reverter esse quadro caótico de desmanche do serviço público, para que possamos ganhar a sociedade com a justeza dessa pauta", afirmou.

Para Rogério Mazzola, que representou a Federação de sindicatos de trabalhadores das universidades brasileiras (FASUBRA), o ANDES-SN, mais do que um patrimônio dos docentes, "pertence ao conjunto da classe trabalhadora".

O integrante da coordenação da Intersindical, Edson Índio, salientou que o ANDES-SN é a única entidade que representa os interesses dos docentes. "Este congresso acontece num momento muito importante, particularmente para a juventude do Brasil e do mundo, que pode fazer vergar a intransigência e lutar por um mundo melhor. Acontece num momento em que os olhos do povo brasileiro estão voltados para importantes debates, como o salário mínimo. Esperamos que esse congresso seja um momento muito importante para lutar contra a mercantilização e contra a precarização. Junto com o ANDES-SN e todos os trabalhadores da educação, precisamos construir um plano para lutar contra a privatização. Esperamos que esse congresso seja também um passo à frente pra lutar contra aqueles que querem impor um modelo produtivista, pra lutar contra a desarticulação do ensino, pesquisa e extensão".

Vídeo mostra história de luta do ANDES-SN

Durante a plenária de abertura do Congresso, foi exibido um vídeo em homenagem aos 30 anos do ANDES-SN. Através de imagens de arquivo e depoimentos de alguns dirigentes, o vídeo mostra a história do Sindicato, desde seu surgimento, ainda como Associação, durante a ditadura militar, até as lutas mais recentes, como a resistência contra o REUNI. Retratou ainda o movimento docente presente nos momentos mais importantes da história recente do Brasil, como a luta pelas Diretas, a Constituinte de 1988, a luta pelo impeachment de Fernando Collor, contra as privatizações do governo Fernando Henrique e contra a Reforma da Previdência (primeiro, no governo FHC, depois no governo Lula).

Os depoimentos mostram o compromisso do ANDES-SN com a educação pública, gratuita e de qualidade e com a transformação social da realidade brasileira. O final do vídeo traz uma intervenção do primeiro presidente “da” ANDES, Oswaldo Maciel, falecido em 2005, em que afirma que “o coração que se abre para a paixão da luta não se aquieta mais”.

 

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Professor egípcio defende
que ANDES-SN encampe luta pela democratização do Oriente Médio

Estudante da Faculdade de Direito participa do plebiscito sobre os cursos pagos.  

A democratização do Oriente Médio é um tema que precisa constar na agenda de todas as organizações progressistas do mundo, defende o egípcio radicado no Brasil Mohamed Habib, pró-reitor da Unicamp, que participou da abertura do Congresso do ANDES-SN.

"Os países do Oriente Médio não são democráticos porque isso não interessa ao imperialismo ocidental. Quanto mais democrática e livre é uma sociedade, mais ela participa dos processos decisórios e busca decisões mais justas para todos. Um país desenvolvido jamais vai exportar energia ou água. Irá exportar material com valor agregado, o que não interessa para o Ocidente capitalista".

Para o egípcio, é de extrema importância que uma entidade com o ANDES-SN se debruce sobre o assunto. "Nós professores, intelectuais, temos o desafio de não apenas contar o que se passa hoje no Oriente Médio, mas de explicar porque isso se passa", justificou.

 

De acordo com o professor Habib, as recentes revoltas registradas na Tunísia, no Egito, Argélia e Iêmen, embora tivessem um caráter inicial espontâneo, demonstram que, apesar dos muitos anos de ditadura, os povos árabes ainda estão articulados para lutar por seus direitos de forma pacífica e civilizada.

"No Egito, em especial, os jovens sempre foram a energia nos processos de luta contra a opressão. As universidades e escolas secundaristas sempre foram palcos desses movimentos", afirmou, acrescentando que, no caso da revolução atual, eram justamente esses jovens os que mais tinham motivos para lutar contra o regime.

"Há cinco anos, nenhum universitário formado no Egito consegue emprego no país. A economia está parada, abalada pela corrupção. Quase metade da população (42%) vive abaixo da linha da pobreza. Enquanto isso, a família do ditador Mubarak acumulou uma fortuna estimada em U$S 70 bilhões" – denunciou.

Mohamed Habib está esperançoso com a revolução que, primeiro, varreu a ditadura da Tunísia, depois chegou ao seu país e, agora, continua, em efeito dominó, a inspirar mobilizações em outros países como Argélia e Iêmen.

"As novas tecnologias como a internet e o celular tiveram papel importante nessa revolução, porque espalharam rapidamente para o mundo o que acontecia no Egito. Precisamos, agora, que o mundo continue apoiando as revoltas do mundo árabe, para que as populações do Oriente Médio possam viver com democracia e liberdade".

 

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Congresso delibera defesa do ANDES-SN como centralidade da luta para próximo período

“Defesa do ANDES-SN como instrumento dos docentes na construção da universidade pública e das condições de trabalho, a partir da intensificação do trabalho de base na categoria, fortalecendo e ampliando a unidade com o movimento classista e autônomo”. Esta será a centralidade da luta do Movimento Docente para o próximo período, conforme deliberação da assembleia do 30º Congresso do ANDES-SN. A proposta de texto apresentada pela ADUFF como centralidade da luta foi aprovada, e passou por pequenas modificações, para chegar a esta redação final, aprovada na plenária desta quarta-feira, 16. Os docentes reconhecem que o ANDES-SN vive um momento complicado, por isso apontam a necessidade de defender o Sindicato nacional através de um intenso trabalho de mobilização na base da categoria e de unidade na luta com o movimento sindical classista e autônoma para resistir aos ataques do governo federal à educação pública e aos direitos do funcionalismo.

 

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Em defesa do serviço público,
ato unitário reúne 5 mil na capital federal

Cerca de cinco mil servidores públicos de todo o país participaram, na manhã desta quarta-feira (16), em Brasília, do ato em defesa do funcionalismo e do serviço público, que marcou o lançamento oficial da Campanha Salarial Unificada de 2011.

A atividade, que contou com a participação de representantes da CSP-Conlutas, CUT, CTB e Intersindical, além de parlamentares, começou com uma marcha pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional. De lá, seguiram para o Ministério do Planejamento, onde protocolaram um pedido de audiência à ministra titular da pasta, Miriam Belchior.

A campanha unitária inclui a reivindicação de política salarial permanente com reposição inflacionária, valorização do salário básico e incorporação das gratificações. A reversão de medidas que atentam contra a classe trabalhadora, como o PLP 549/09 (que congela por 10 anos os salários dos servidores), e a MP 520, que privatiza hospitais universitários, também estão pautadas pela campanha deflagrada hoje. O aumento do salário mínimo também foi incorporado à pauta.

"O ato atendeu às nossas expectativas, deu tudo certo. Só não deu certo o atendimento da ministra Miriam aos servidores. Mas vamos continuar pressionando o novo governo com unidade", avalia o 1º vice-presidente da regional Nordeste I do ANDES-SN, Josevaldo Cunha, que integrou a comissão representando a entidade na mobilização.

Além da marcha e do ato, as entidades elaboraram um documento aos parlamentares com as reivindicações da categoria, distribuído nesta quarta. Uma "carta aberta à população" também foi panfletada ao longo do trajeto entre a Catedral e o Congresso Nacional. Os manifestantes protocolaram, ainda, um pedido de audiência com a presidente Dilma Rousseff, solicitando abertura de negociações e atendimento das demandas do funcionalismo.

Na sexta-feira (18) haverá uma reunião ampliada da Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais - CNESF, na capital federal, para avaliar os desdobramentos do ato de hoje e definir um calendário de mobilizações.

 

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