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PAUTA INTERNA DOS DOCENTES DA UFF
RESULTADOS DO SEMINÁRIO UFF CONHECIMENTO, DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO
Realizado pela ADUFF-SSind entre 3 e 5 de setembro de
2001
e submetidos à Assembléia Geral dos Docentes da UFF, em
03/04/2002
Entre os dias 03 e 05 de setembro de 2001, alguns dias
após a deflagração da greve dos servidores públicos
federais, na qual os docentes tomaram parte de maneira ativa, a ADUFF-SSind
promoveu o Seminário UFF: Democracia, Conhecimento, Participação,
com o objetivo de fomentar o debate que subsidiaria a elaboração
de uma pauta interna dos docentes da UFF, um verdadeiro projeto estratégico
da Universidade a partir da concepção do movimento docente.
Para tanto, o Seminário organizou-se numa dinâmica de mesas
de discussão seguidas de grupos de trabalhos. Para as mesas foram
convidados palestrantes internos e externos à UFF e nos grupos
todos os participantes expuseram pontos de vista e levantaram propostas.
Os trabalhos foram abertos com a palestra "Conjuntura e reforma do ensino
superior", à cargo do Deputado Federal Ivan Valente. Foram três
as mesas de discussão: "Projeto acadêmico na UFF - graduação",
com as Professoras Maria da Graça Bollmann, do GT de Política
Educacional do ANDES-SN e Jandira Souza Thompson Motta, da PROAC-UFF;
"Projeto acadêmico na UFF - pós-graduação e
pesquisa", com os Professores José Domingues Godói Filho,
do GT de Ciência e Tecnologia do ANDES-SN e Vitor Francisco Ferreira,
do Departamento de Química orgânica da UFF; e "Gestão
democrática e orçamento participativo", com os Professores
Antonio Luiz de Andrade, do GT Verbas do ANDES-SN e Cláudio Roberto
Marques Gurgel, da Faculdade de Administração da UFF.
Os dados apresentados pelos palestrantes foram extremamente
importantes e não poderiam ser aqui resumidos. Para isso, projeta-se
a publicação de um caderno da ADUFF-SSind com a íntegra
das mesas. As propostas que surgiram nos grupos de trabalho, porém,
são objetivas e urge que sejam publicizadas para ganharem força
de projeto coletivo.
Passado o pique de mobilização e enfrentamento
da greve, que durou mais de 100 dias, não poderia haver melhor
oportunidade para a apresentação dos resultados desta discussão,
referendados e complementados por uma Assembléia Geral dos docentes,
do que este momento de 2002, marcado externamente pelos desdobramentos
das propostas governamentais para a Universidade, como o projeto de "inovação
tecnológica", em discussão, ou as propostas de parlamentares
para instituir a cobrança de mensalidades nas Instituições
Públicas de Ensino Superior. Internamente, o debate eleitoral para
a reitoria da Universidade pode ser o momento adequado para que os candidatos
a reitor abandonem a prática usual de comprometerem-se com bandeiras
gerais democráticas e de defesa da Universidade pública,
sem entretanto apresentarem ou assumirem as propostas concretas que efetivamente
dão substância ao compromisso com aquelas bandeiras.
Propostas para pauta interna
Partimos da referência a uma série de princípios
expostos na publicação "Caderno 2" do ANDES-SN, composta
por um Projeto de Universidade Pública, Gratuita, de Qualidade
e Socialmente Referenciada (Proposta da ANDES para a Universidade Brasileira),
pautado por um Padrão Unitário de Qualidade e complementado
pelo Projeto de Carreira Única e Plano Nacional de Capacitação
do ANDES-SN. Estes, porém, ganham contornos práticos e características
locais quando confrontados à discussão sobre a UFF.
- Democracia e financiamento
- Estatuto
- Compromisso de respeito ao processo estatuinte, garantindo a precedência
do texto do relatório da estatuinte e, caso surjam propostas
diferentes no Conselho Universitário, convocação
de plebiscito com os três segmentos (e voto universal), nos
termos da resolução que regulamentou o processo;
B - Entendimento do novo estatuto como base necessária para
a construção de um planejamento institucional que dê
conta da articulação necessária entre projeto
administrativo e o projeto acadêmico de gestão da UFF,
sendo que o primeiro deve sempre ser pensado como estando a serviço
do segundo;
- Eleições
- Indicação de reitor a partir de eleição
de chapa completa (reitor, vice e pró-reitores), paritária
entre os três segmentos, em processo conduzido pelas respectivas
entidades representativas (Aduff-Sintuff-DCE);
- O Conselho Universitário deverá assumir o compromisso
de indicar ao MEC uma lista tríplice formada pelo candidato
a reitor mais votado, seguido de seu candidato a vice-reitor e de
um dos candidatos a pró-reitor de sua chapa, por ela indicado;
- A ADUFF-SSind promoverá um investimento político
para construir chapas comprometidas com o nosso projeto de Universidade
para os colegiados superiores da UFF;
- Financiamento
- Compromisso da administração superior da Universidade
em lutar pela garantia de verbas públicas para manutenção,
custeio e expansão da Universidade;
- Abolição de todas as taxas escolares e cursos pagos
no interior da UFF;
- Construção participativa do planejamento orçamentário
da UFF, promovendo-se a descentralização da execução
de recursos - Unidades como unidades gestoras -, com respeito absoluto
ao princípio da publicidade, através da total transparência
na divulgação das contas da Universidade;
- Auditoria externa e independente (do TCU, por exemplo) nas contas
da Fundação Euclides da Cunha e reavaliação
após ampla discussão pela comunidade universitária
da necessidade de uma fundação privada na UFF;
- Captação de recursos privados sujeita a critérios
acadêmicos, que não subordinem a autonomia universitária,
garantindo a lisura na administração dos recursos
e a prioridade para sua aplicação nas atividades-fim
da Instituição;
- Projeto Acadêmico - Graduação
- Projeto institucional:
- elaboração, com a participação de
toda a comunidade, de um projeto institucional para o ensino de
graduação da UFF que contemple a articulação
entre ensino, pesquisa e extensão, bem como apresente as
conexões necessárias com o ensino de pós-graduação;
- Acesso à Universidade:
- Compromisso da administração da UFF com a ampliação
das chances de acesso à Universidade, em especial dos estudantes
da rede pública de ensino fundamental, na perspectiva da
universalização do direito de acesso ao ensino superior
público, denunciando os limites dos vestibulares, bem como
das soluções simplistas de reservas de vagas, através
de medidas tais como:
- pressão sobre o governo federal para a abertura de
concursos públicos de docentes e técnico-administrativos
no Regime Jurídico Único, que possibilitem a
ampliação da oferta de vagas com garantia de
qualidade nos cursos;
- apoio aos cursos pré-vestibulares de iniciativa popular
(para negros e carentes, de DCE, dos CAs, comunitários,
etc.), que funcionam em vários ambientes da UFF, através
de sua integração a projetos institucionais
de extensão, com bolsas para estudantes/instrutores
da UFF e supervisão de professores;
- realização de seminários para professores
do ensino médio da rede pública estadual, coordenados
pelas bancas de elaboração das provas do vestibular
da UFF, com o objetivo de apresentar as intenções
da Universidade ao elaborar as provas e de ouvir dos professores
sua avaliação de nosso concurso;
- criação de um fórum permanente de discussão
sobre democratização do acesso à Universidade,
coordenado pela PROAC e integrado por representantes dos cursos,
da comissão de vestibular e das secretarias municipais
e estadual de educação do Grande Rio;
- interação entre a Universidade e os programas
de formação continuada de professores na rede
pública, através de projetos de extensão
que possibilitem a produção de material didático,
palestras e outras atividades de integração;
3-Compromisso com as condições de permanência
na Universidade dos alunos com dificuldades financeiras para completarem
os estudos, através de:
- luta junto ao governo federal pela retomada das verbas de
assistência estudantil nos orçamentos das IFES;
- garantia do bandejão em dois turnos, a preços
subsidiados e com alimentação de qualidade;
- construção do alojamento universitário;
- interação com o poder público municipal
para criar condições de gratuidade para o transporte
inter-campi dos estudantes;
- política de ampliação das bolsas, de
Iniciação Científica, extensão
e treinamento, com garantia de valores dignos e não
utilização dos bolsistas como substitutos precarizados
de servidores técnico-administrativos;
- Diretrizes curriculares:
- abrir o debate com a comunidade universitária
sobre propostas de componentes curriculares e diretrizes gerais
de formação em nível de graduação,
mantendo permanente discussão sobre currículos,
tendo como pressupostos: a indicssociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão nos objetivos acadêmicos dos
cursos; o compromisso com a relevância social do conhecimento;
a perspectiva crítica na leitura da realidade; a solidez
da formação teórica e metodológica;
a competência técnica;
- abertura de ampla discussão com a
comunidade acadêmica sobre as propostas do governo de
implantação de novas diretrizes curriculares para
os cursos de graduação, atentando para a perspectiva
de fundo destas propostas de redução dos objetivos
do ensino de graduação à mera formação
de mão-de-obra;
- resistência às propostas de
diretrizes curriculares, cursos seqüenciais e Institutos
Superiores de Educação na área das licenciaturas,
que se pautam pela dissociação entre ensino e
pesquisa e rebaixamento dos objetivos da formação
de professores, em claro retorno ao modelo já repudiado
pela comunidade acadêmica das licenciaturas curtas, implantado
pela ditadura militar;
- incluir os estudantes e os servidores técnico-administrativos
em todos os debates sobre política de graduação;
- definir com maior precisão, em função
dos objetivos acadêmicos, o significado dos estágios
curriculares;
- importância da implantação
da figura do orientador acadêmico para todos os alunos,
como responsável pelo acompanhamento de matrículas,
queixas, estágios e desenvolvimento dos estudantes nos
cursos;
5- Avaliação Institucional
- rejeição aos modelos de avaliação
do MEC (ENC/provão e Avaliação das Condições
de Oferta, bem como pontuações da GED), por
sua insuficiência enquanto mecanismo de avaliação,
seu horizonte de ranqueamento e diferenciação
de objetivos das instituições ("escolões"
x "centros de excelência") e seu compromisso com o projeto
privatista;
- Implantação de uma proposta de avaliação
institucional pautada pelo projeto de Universidade Pública,
Gratuita e de Qualidade, Socialmente Referenciada, nos termos
definidos pela proposta da estatuinte em seu relatório
final, o que inclui: processo permanente; participação
dos três segmentos da comunidade universitária,
das sociedades científicas e da sociedade civil organizada
na definição do projeto institucional que servirá
de norte ao trabalho da UFF e dos mecanismos de avaliação
necessários ao acompanhamento deste processo, através
de um Fórum Universitário, periodicamente convocado
com este fim;
6- Cursos à distância:
- ampliação do debate na comunidade universitária
sobre ensino à distância e Universidade Virtual,
na perspectiva da garantia da qualidade do ensino e da pesquisa
científica e tecnológica e do caráter
suplementar de esforços desta natureza;
- integração do debate sobre ensino à
distância aos fóruns regulares de deliberação
e gestão universitária (Conselho de Ensino e
Pesquisa; Departamentos, Fórum dos Coordenadores e
das Licenciaturas, etc.)
- rejeição dos mecanismos privatistas de gestão
dos cursos à distância, como parcerias com a
iniciativa privada, remuneração complementar
para os professores, cobrança de mensalidades disfarçadas
em taxas de material, etc.
7- Projetos de interiorização:
- a ampliação da atuação da UFF
no interior deve estar condicionada ao debate nos fóruns
adequados da Universidade, bem como à garantia de qualidade
idêntica a das atividades oferecidas na sede;
- garantia de quadros docentes e técnico-administrativos
efetivos em quantitativo suficiente para a necessidade dos
cursos já instalados no interior, bem como de condições
de instalação e equipamentos, de forma a garantir
a qualidade das atividades desenvolvidas pela UFF;
III - Projeto Acadêmico - Pós-Graduação e
Pesquisa
- Projeto institucional:
- elaboração de um projeto institucional de
pesquisa e pós-graduação que contemple
a relevância acadêmica - avaliada pela integração
às sociedades científicas e garantido pelo acesso
a verbas públicas, programas de qualificação,
laboratórios, bibliotecas, currículos atualizados...
- e a relevância social, pensada nos termos de um projeto
alternativo ao atual, que contemple a produção
de conhecimento voltado para as necessidades da maioria trabalhadora
da população;
- integração deste projeto às políticas
mais amplas da Universidade - de ensino de graduação,
de extensão e de gestão administrativa - e às
respectivas formas de avaliação institucional;
- toda prioridade será concedida aos projetos que sejam
desenhados como da Universidade, em conformidade com seu projeto
institucional e não aos projetos de "grupos" de pesquisadores;
- Princípio da gratuidade:
- todos os cursos oferecidos pela Universidade, em nível
de pós-graduação - lato e strictu
sensu, inclusive mestrados profissionais, MBAs, etc. -
devem ser gratuitos para os estudantes que os freqüentam;
- Integração ao projeto acadêmico institucional:
- todos os cursos de pós-graduação -
em todos os seus níveis e modalidades - devem estar
integrados ao projeto acadêmico da UFF, repeitando-se
os fóruns departamentais e da administração
superior na sua implantação e subordinando-se
seus projetos aos objetivos da qualidade acadêmica e
relevância social que orientam todas as atividades da
UFF;
- os cursos de pós-graduação strictu
sensu devem nortear sua política de vagas e seus currículos
aos critérios de relevância acadêmica e
social acima explicitados, rejeitando as pressões anti-acadêmicas
das agências de fomento e avaliações governamentais
pelo encurtamento do tempo de duração e diminuição
dos requisitos acadêmicos da produção;
- Ampliação das verbas e das bolsas:
- pressão da instituição sobre as agências
financiadoras pela ampliação do número
de bolsas e pela atualização do seu valor, em
todos os níveis, rejeitando as inconstitucionais pressões
das agências para a discriminação por
idade dos bolsistas;
- pressão sobre o governo federal para a previsão
de verbas orçamentárias suficientes para permitir
à UFF fomentar autonomamente pesquisas, através
de bolsas e financiamentos;
- Avaliação:
- inclusão, no processo avaliativo da UFF, de parâmetros
próprios para a avaliação da pós-graduação
e da pesquisa;
- abrir o debate acadêmico sobre a mudança dos
padrões avaliativos da CAPES e sobre a subsunção
dos programas às novas propostas das agências
através da pressão dessa avaliação;
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