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1º de Maio:
Trabalhadores vão às ruas e dizem que não vão pagar pela crise

São Paulo - Bandeiras vermelhas de diferentes organizações e entidades tremularam neste 1º de Maio na praça da Sé, em São Paulo. O ato classista e de luta reuniu cerca de duas mil pessoas, que entoaram “1, 2, 3, 4, 5 mil ou param as demissões, ou paramos o Brasil”, com o mesmo vigor com que vaiaram as grandes festas organizadas por centrais como Força Sindical, CUT e CTB, patrocinadas por empresas e governo. “No ato da Sé não precisamos sortear prêmios. É um ato de luta e internacionalista”, disseram os que apresentaram a manifestação.

O ato da Sé foi preparado por muitos: Conlutas, Intersindical, MST, MTST, Fóruns das Pastorais Sociais e CEBs, Conlute, FOE, Consulta Popular, Fórum de Luta dos Trabalhadores Desempregados, Fórum dos Ex-presos Políticos, Comitê pela Reestatização da Embraer, além de partidos de esquerda como o PCB, PSOL e PSTU. Dezenas de entidades sindicais estiveram representadas.

Todos que falaram no palanque denunciaram a crise econômica, as demissões e as tentativas de redução de salários e de direitos pelos patrões. Foi denunciado o discurso do governo e dos empresários de que os trabalhadores têm de fazer sacrifícios para amenizar a crise, enquanto os banqueiros e esses empregados recebem milhões do governo. Além disso, ressaltaram a necessidade de construir a unidade de todos os trabalhadores para combater os efeitos dessa crise. Neste ano também foram especialmente lembrados os que tombaram nas prisões, por torturas e assassinatos durante a ditadura militar.

Um dos que homenageou os que morreram foi o histórico lutador da Pastoral Operária Waldemar Rossi, que lembrou os primeiros de maio realizados naquela praça, a luta dos trabalhadores brasileiros e encerrou sua intervenção cantando o Hino da Greve.

Outro militante histórico da esquerda socialista, Plínio de Arruda Sampaio, lembrou que há 60 anos vêem participando dos atos classistas na Praça da Sé, mas que nunca viu a classe trabalhadora tão ameaçada pelo capitalismo. Plínio sugeriu ainda que a saída da crise não se dá dentro do sistema capitalista. “É preciso substituir o capitalismo pelo socialismo”, frisou.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também passou pelo ato e fez uma intervenção defendendo reformas políticas e a divulgação do salário dos altos executivos das empresas para “compartilhar” os resultados da crise e para haver “melhores condições de negociação". Suplicy também participou dos atos da Força Sindical e da CUT.

O representante do PSTU, Dirceu Travesso, fez uma das intervenções mais emocionantes do ato quando lembrou o caráter internacionalista da data resgatando a morte dos trabalhadores de Chicago e a luta pela jornada de oito horas de trabalho. Dirceu denunciou a ocupação imperialista no Haiti e questionou o senador Eduardo Suplicy, que esteve na manifestação. “Suplicy devia dizer por que as tropas brasileiras estão lá no Haiti, a serviço do imperialismo”, disse. O sindicalista integra a campanha de solidariedade ao povo haitiano, que enviou três dirigentes para o 1 de Maio no Haiti.

Um dos representantes da Intersindical foi Mane Melato, do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas (SP). O sindicalista fez um critica contundente aos atos da CUT e Força, lembrando que eles são “fazem festas financiadas pelas mesmas empresas que demitem os trabalhadores”. O professor Paulo Pedro também falou pela Intersindical e disse que na Praça da Sé estavam “reunidos os melhores lutadores, aqueles que não se venderam para a patronal e para o governo”.

O ato foi encerrado por Atnágoras Lopes, da Conlutas. Ele lembrou da dor que milhões de trabalhadores desempregados estão sentindo quando “olham pra seu filho e não podem oferecer nenhum horizonte”. Atnágoras apontou ainda a necessidade de se construir um dia nacional de lutas contra o desemprego, fazendo esse chamado, inclusive, para as centrais governistas. “É preciso unir os trabalhadores. A crise aponta a necessidade de um dia nacional de paralisação, chamando inclusive as centrais governistas, para que os trabalhadores possam responder os efeitos da crise”, concluiu.

Entre os que falaram estiveram o deputado Ivan Valente pelo PSOL; Helena, do MTST; Mancha, do Sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, que ressaltou a campanha pela reestatização da Embraer e outros. O ato foi animado com a presença do Espaço Cultural Marighela e um grupo de hip hop de Cotia.

Belo Horizonte - No dia 30, em Belo Horizonte, aconteceu um ato unificado dos movimentos sindicais e sociais, dentre eles a Conlutas, Associação de Moradores do Bairro Camargos e Ocupação Dandara.

O ato antecipou o dia internacional dos trabalhadores, e foi concentrado na Praça da Rodoviária, seguiu com passeata até a Praça Sete, que é um ponto de grande movimento na capital, contou com cerca de 800 pessoas que estavam unidas em defesa do emprego e da estabilidade no emprego, com o lema "Os trabalhadores não vão pagar pela crise".

Vanessa Portugal, do Movimento Mulheres em Lutas-Conlutas, ressaltou a importância das mulheres estarem presentes no ato ao lado dos homens lutando por uma sociedade justa e sem desigualdades, lutando pelo socialismo, enfatizou o fato do governo Lula estar dando dinheiro aos banqueiros, FMI, dando isenção de impostos para as indústrias, e consequentemente tirando as parcas verbas da educação, saúde, moradia.

Pedro Valadares, da Conlutas, lembrou do desemprego que assola as indústrias e as demissões que ainda virão, e com a diminuição do Fundo de Participação dos Municípios diminuirá bruscamente os investimentos sociais, afetando toda a população.

Porto Alegre – Uma manifestação convocada pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul e diversas entidades no dia anterior antecipou o 1 de Maio na capital gaúcha. O objetivo da atividade foi denunciar o desmonte do Estado promovido pelo governo Yeda Crusius (PSDB).

A concentração foi em frente ao Gigantinho, onde ocorria a assembléia geral do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato). Após a assembléia todos seguiram até o Palácio Piratini, na praça da Matriz, para exigir “Fora Yeda!”.

Também participaram da convocação do ato a Conlutas, Intersindical, CUT, CTB, CMS, Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e diversos grêmios estudantis e DCEs.

À noite a Conlutas promoveu um debate no CPERS sobre a crise com a presença do diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Luis Carlos Prates, o Mancha. Ele também abordou a importância da participação na campanha pela reestatização da Embraer.

Belém – Cerca de 500 trabalhadores e estudantes saíram as ruas em Belém para protestar contra a crise e as demissões. Eles fizeram uma marcha da praça do Operário até a praça da República. “A crise internacional foi criada pelos ricos, e não pelos trabalhadores, mas nós trabalhadores é que pagamos. A palavra de ordem desse 1° de maio é que os ricos paguem pela crise”, disse Neide Solimões, da Conlutas.

Estudantes, trabalhadores da saúde em greve, os concursados do Estado que ainda não foram chamados, funcionários públicos e outras categorias, além do MST, participaram da atividade, organizada pela Conlutas e Intersindical.

 

Manifestações marcam 1º de Maio pelo mundo

Haiti — Diversas organizações se concentraram em frente à Assembléia Legislativa, de onde saíram em passeata rumo ao Palácio do Governo. No caminho, para impedir que chegassem ao Palácio, houve repressão da policia. Bombas de gás e as táticas que conhecemos para dispersar o pessoal. Houve algumas pessoas feridas, nada grave, mas a policia conseguiu impedir que a manifestação chegasse em frente ao Palácio. (Informe por telefone da Delegação de Brasileiros no Haiti)

Abaixo a fonte é a Folha Online:

Milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira, em várias cidades do mundo, das comemorações do 1º de Maio. O 1º de Maio é conhecido mundialmente como o Dia Internacional do Trabalho e é tipicamente marcado por demonstrações que podem, às vezes, se tornar violentas.

Turquia (Osman Orsal/Reuters) — Policial turco detém manifestante em Istambul ao dispersar multidão no 1º de Maio Em Istambul, a polícia turca usou cacetetes, gás de pimenta e canhões de água para dispersar a multidão de trabalhadores e estudantes que tentava alcançar a praça principal para comemorar o Dia do Trabalho, em uma manifestação que foi proibida pelo governo. Seis policiais ficaram feridos e ao menos 467 manifestantes foram detidos.

Após os sindicatos turcos dizerem que desafiariam o governo e fariam as celebrações do Dia do Trabalho na praça Taksim, em Istambul, que foi cenário de violentos protestos décadas atrás, milhares de policiais foram colocados nas ruas.

Eles também montaram barricadas na praça — as celebrações no local têm sido banidas desde 1977, quando homens armados não-identificados abriram fogo contra os manifestantes, matando 37 pessoas.

"Vida longa ao 1º de Maio" e "Todo lugar é Taksim" eram alguns dos gritos dos manifestantes desta quinta-feira, além de frases denunciando o governo.

Alemanha (Johannes Eisele/Reuters) — Policiais passam por carros em chamas em manifestação realizada em Hamburgo na Alemanha, protestos anticapitalistas realizados na noite anterior ao Dia do Trabalho, em Hamburgo, transformaram-se em atos de violência e vandalismo, informou a polícia nesta quinta-feira.

A polícia recorreu ao uso de cassetetes e jatos de água para conter os manifestantes de esquerda e os chamados "autônomos" ou radicais mais exaltados.

Em Berlim, a polícia prendeu ao menos 20 pessoas ontem à noite em uma festa violenta em Mauerpark, no local onde o Muro de Berlim foi construído.

Um policial ficou levemente ferido quando manifestantes jogaram garrafas de vidro e pedras, disse Hansjoerg Draeger, porta-voz da polícia de Berlim. Dois carros foram queimados. O número de prisões, no entanto, é bem menor que no ano passado, quando 120 pessoas foram presas no Mauerpark.

Moscou (AP) — Russos participam de manifestação em comemoração ao 1º de Maio em Moscou.

Em Moscou, cerca de 30 mil pessoas participaram de manifestações pela cidade, disseram policiais. Membros do partido Rússia Unida, apoiado pelo Kremlin, marcharam pela principal via de Moscou carregando cartazes escritos "Crescimento econômico não apenas para os ricos" e ´"Putin e Medvedev são os salvadores do ensino superior", entre outras frases.

O líder comunista Gennady Zyuganov, no entanto, liderou uma manifestação em que predominou o vermelho, bandeiras com a foice e o martelo, e fotos de Lênin e Stalin.

O feriado tem perdido muito do seu significado para a maioria dos russos desde a era soviética, quando o 1º de Maio era uma grande celebração de solidariedade trabalhista e do poder soviético. A maioria das pessoas, agora, usam o feriado para descansar.

Cuba (Sven Creutzman/Efe) — O presidente cubano, Raúl Castro, participa de manifestação na praça da Revolução.

Em Cuba, milhares de cubanos tomaram a praça da Revolução em Havana para um Dia do Trabalho permeado por esperanças de que o governo pudesse anunciar outras pequenas mudanças para a vida diária dos moradores da ilha.

Vestido com uniforme militar e sem pronunciar discurso algum, o chefe de Estado cubano, Raúl Castro, presidiu o desfile do Dia do Trabalho.

O único orador do dia foi o presidente da Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC, sindicato único), Salvador Valdés, que reiterou o discurso oficial de "continuar o caminho traçado" pelo ex-presidente Fidel Castro "para um socialismo cada vez mais justo e eficiente".

É o segundo Dia do Trabalho que Fidel Castro, de 81 anos, não preside, pois não aparece em público desde 2006, em razão de uma doença intestinal.

 

Fonte: Conlutas

 
     
     
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