Ago
21
2025

Em lançamento de livro, pesquisadores destacam atualidade da obra de Marini para entender a realidade brasileira e latino-americana diante do capitalismo

Importância da obra "Ruy Mauro Marini - Dependência e revolução na América Latina: textos selecionados (1972-1994)" foi ressaltada em evento organizado pela Aduff, inaugurando o segundo semestre letivo de 2025 na UFF

Há aproximadamente cinco décadas, o importante cientista social brasileiro e intelectual marxista Ruy Mauro de Araújo Marini (1932-1997) escrevia sobre uma das suas principais contribuições ao pensamento social latino-americano, discorrendo criticamente sobre a dialética da dependência – teoria que analisa a relação entre os países ditos em desenvolvimento e os países centrais em um sistema capitalista.

A atualidade do pensamento do autor para compreender a perspectiva brasileira foi apontada na noite de lançamento da obra "Ruy Mauro Marini - Dependência e revolução na América Latina: textos selecionados (1972-1994)", organizada por Rodrigo Castelo e Fernando Correa Prado, e viabilizada com o apoio financeiro e político da Aduff e de diversas outras seções sindicais do Andes-SN.    

O lançamento da publicação, que apresenta textos de Ruy Mauro Marini até então inéditos em português e alguns deles fora de circulação há algum tempo, ocorreu na noite de 20 de agosto, no auditório da Faculdade de Economia, no campus da UFF do Gragoatá, em Niterói. A atividade, primeira a ser realizada pela Aduff-SSind no início do segundo semestre letivo de 2025, contou com transmissão simultânea no canal do sindicato no You Tube. Para ver, acesse aqui

Os convidados foram João Claudino Tavares, docente da UFF em Rio das Ostras, ex-dirigente da Aduff e 1º Vice-Presidente da Regional Rio de Janeiro do Andes-SN; Marcela Soares, professora da Escola de Serviço Social da UFF, que assina a orelha da publicação; e Rodrigo Castelo, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e presidente da Adunirio. A mediação é realizada por Maria Cecília Castro, docente dos Anos Iniciais no Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni) e presidente da Aduff-SSind.   

A presidente da Aduff-Ssind também convidou os e as presentes a votarem no plebiscito pelo fim da escala 6x1 e pela taxação das grandes fortunas, já que o sindicato está diretamente envolvido nessa campanha. Uma urna foi disponibilizada no evento e outra está na sede da Aduff-SSind, durante a semana, no período de 9h às 18h. Além disso, a seção sindical tem oportunizado urna na entrada do campus do Gragoatá, com a expectativa de expandir seu raio de atuação nos próximos dias, inclusive para os outros da UFF no estado do Rio de Janeiro.

Pensamento de Marini é necessário na Academia e na militância

Os convidados apontaram as contribuições de Marini, ao lado de outros intelectuais como Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra, para a formulação da teoria marxista da dependência. 

A professora Marcela Soares destacou a importância do pensamento do autor para o conjunto da classe trabalhadora, recuperando o legado de Marini para a compreensão da realidade hoje. Enfatizou o resgate da obra dele em tempos de crise capitalista; o método dialético marxista e a teoria revolucionária; a teoria marxista da dependência versus as ilusões reformistas; a fascistização e a atualidade da obra do cientista social. 

"O Marini tinha a preocupação de entender a realidade para melhor intervir. A sua teoria tinha o compromisso com as lutas da classe trabalhadora e de pensar políticas para serem estabelecidas como uma estratégia maior socialista de projeto de sociedade", disse Marcela, argumentando sobre os textos da coletânea que abarcam duas décadas de análise. 

O professor João Claudino Tavares dedicou sua fala à Rosária Ferrarez Serra, funcionária da Aduff que faleceu no último dia 9 de agosto; ao povo palestino; e aos famélicos da terra. Defendeu que a Universidade se dedique mais ao estudo de Ruy Mauro Marini, o qual considera ainda ser desconhecido no país. Ele lembrou que o autor foi preso e perseguido pela ditadura empresarial militar do Brasil e do Chile, tendo sido dirigente da POLOP (Organização Revolucionária Marxista Política Operária) e do MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionária). 

Ele citou como Marini contribuiu para a sua trajetória acadêmica e política, como referência intelectual e de militância. "Em 1997, tentei criar um grupo de estudos no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico chamado 'Rui Mauro Marini', mas disseram que eu não poderia homenagear pessoas no grupo do CNPq. Então, criei um grupo chamado: "Pesquisas sobre Processo de Produção e Relações de Trabalho nas Economias Dependentes". Pronto: Rui Mauro Marini", contou.

Rodrigo Castelo, um dos organizadores do livro em lançamento e debatedor do evento em questão, afirmou que a obra "Ruy Mauro Marini - Dependência e revolução na América Latina" conta com o principal texto do autor, o "Dialética da Dependência"; o posfácio em que Marini respondeu a Fernando Henrique Cardoso; o Memorial de Ruy Mauro Marini no seu retorno à Universidade de Brasília, na década de 80, entre outros escritos valorosos.   

"O livro é volumoso porque está ancorado numa nova geração que está indo para além dos textos clássicos da teoria marxista da dependência. [É compreender] O Marini ou qualquer marxista, para além do manual, do dogmatismo ou do sectarismo político", considerou Castelo. "Há uma expansão do Marini para além das suas temáticas. Ele é o ponto de partida e não o ponto de chegada. Há um conjunto de novas frentes de estudo, de pesquisa e de militância na questão regional, no debate sobre educação, cultura, opressões, estado e classes sociais, relações internacionais, sobre a questão social, entre outros temas", pontuou. 

Segundo Rodrigo, uma nova geração de pesquisadores tem se apropriado da obra do Marini para fazer suas análises concretas sobre as questões contemporâneas. "Não vamos desvelar a realidade que vivemos citando os clássicos; as citações não vão fazer com que a realidade fetichizada e alienada que vivemos se desvele aos nossos olhos. Mas o estudo dos clássicos como método para entendermos as novas determinações do capitalismo dependente pode nos ajudar a transformar a realidade", defendeu.

Compromisso sindical 

De acordo com Renata Cardoso, docente da UFF em Rio das Ostras e diretora do sindicato, a atividade foi importante e é essencial para romper com um ostracismo imposto intencionalmente a um intelectual brasileiro perseguido pela ditatura militar,  que ofereceu caminhos de análise das complexidades do Brasil contemporâneo. "Reafirmamos ainda, no retorno ao segundo semestre letivo deste ano, o compromisso da Aduff-SSind e do Andes-SN com a formação política e à difusão do conhecimento", afirmou. 

A seção sindical oportunizou alguns exemplares, em sorteio, para a plateia. Veja mais na página do sindicato no Instagram

Da Redação da Aduff
Por Aline Pereira

 

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