Set
10
2025

UFF deixou de contratar 175 docentes negros: reparação é demanda da Aduff em reunião com Reitoria em dia de paralisação

Nesta quinta-feira (11), a seção sindical reivindicará reposição de vagas que não foram destinadas adequadamente aos cotistas negros em concursos públicos para docentes na UFF, entre os anos de 2014 a 2024

Nesta quinta-feira, 11 de setembro – dia de paralisação docente na Universidade Federal Fluminense, a Diretoria da Aduff-SSind irá se reunir com a Reitoria para debater temas de interesse da categoria.

O encontro com a administração central da UFF ocorrerá meses após a direção do sindicato ter solicitado por ofício, em 2 de abril deste ano, uma reunião com a Progepe (Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas), que não aconteceu até o momento. O objetivo da diretoria da Aduff era conversar, logo no início da gestão, sobre demandas apresentadas pelos e pelas docentes. Um dos temas envolve a política de cotas raciais nos concursos – questão que integra a campanha Sou Docente Antirracista do Andes-SN.

Desde 2019, a seção sindical tem acompanhado a implementação da lei de cotas na Universidade, aquela que garante reserva de 20% das vagas para candidatos negros em concursos públicos no âmbito da administração pública federal, quando o número em ofertas for igual ou superior a três vagas. À época, a Aduff e um coletivo de docentes negros (as) estiveram em diálogo com a administração central da UFF. Após a pressão do sindicato, a Reitoria estabeleceu um Grupo de Trabalho para discutir e aplicar de forma adequada a referida legislação, o que foi efetivado somente a partir dos concursos de 2020.

A seção sindical de docentes da UFF tem reafirmado sua posição antirracista e entende que essa luta é uma vertente importante para a construção de uma universidade mais inclusiva e plural. Seguindo deliberação do 43º Congresso do Andes-SN (27 e 31 de janeiro de 2025, em Vitória/ES, em 2025), a Aduff recentemente realizou um levantamento sobre a não alocação adequada de quantitativo de vagas que deveriam ter sido destinadas para concorrentes negros ou negras na UFF desde 2014. 

"Entre 2014 e 2019, foram oferecidas 649 vagas em concurso da UFF. Até esse ano, a UFF fragmentava as vagas para contabilização das cotas. E a partir dos dados oferecidos pela Progepe, entendemos que nenhum docente negro (a) foi contratado (a) pela reserva de vagas nesse período, o que representa um déficit de 130 vagas que deveriam ter sido ofertadas", afirmou Raul, secretário geral da Aduff e professor da Faculdade de Educação. 

"Depois que a UFF passou a implementar, de fato, a lei de cotas em 2020, foram feitas 398 nomeações de aprovados em concursos até 2024, dos quais apenas 34 eram docentes negros (as) cotistas, indicando um déficit de 45 vagas. Com isso, a UFF deve ao povo negro 175 vagas", complementou. 

Segundo Raul, os dados de vagas oferecidas em concursos entre 2014 e 2019 foram coletados e disponibilizados pelo professor Luiz Mello (Universidade Federal de Goiás) e acrescidos pela Aduff. Já os dados sobre nomeações foram fornecidos pela Progepe.

O levantamento geral de vagas que deveriam ter sido destinadas aos docentes negros e negras em concursos na UFF, considerando a última década, foi realizado por uma Comissão criada pelo Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), composta por Raul Nunes; Susana Maia, tesoureira da Aduff; e por Sérgio Aboud, docente do Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni) e membro do GT.  De acordo com essa Comissão, poderiam ser necessários pelo menos dez anos para garantir a reparação dessas vagas perdidas. Essa demanda será apresentada à Reitoria na reunião desta quinta-feira (11).

Maria Cecília Castro, professora do Coluni e presidente da Aduff, reforça a importância de o sindicato pautar essa questão das vagas de cotas para docentes que foram perdidas na UFF. "Esse é um trabalho que está em curso e que envolve o plano de lutas aprovado no Congresso do Andes-SN. Precisamos de um posicionamento da Reitoria da UFF, para que assuma um compromisso de reaver essas vagas", defendeu a professora, que é coordenadora do GTPCEGDS local. "Temos a tarefa de reunir os movimentos negros da universidade, os professores e as professoras que discutem essa temática. É preciso um compromisso dessa reitoria e das próximas reitorias da UFF em garantir essa reparação que é histórica, que é fundamental, e que é uma das bandeiras do nosso sindicato", complementou a presidente da Aduff. 

Dia 11: Paralisação contra a Reforma Administrativa

Aprovada em assembleia da categoria realizada no dia 4 de setembro, a paralisação do dia 11 é uma das formas de intensificar a luta contra a Reforma Administrativa, em curso no Congresso Nacional.

Nesta quinta-feira, haverá manifestações do funcionalismo em diversas capitais e em Brasília. No Rio de Janeiro, um ato unificado será realizado às 16h, na Candelária.

Denunciada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), que conta a participação do Andes-SN, a Reforma Administrativa é apontada como medida prejudicial aos Serviços Público, aos direitos do funcionalismo e da classe trabalhadora em geral. 

"O Presidente da Câmara dos Deputados [Hugo Motta - Republicanos/PB], um dos criadores do GT da Reforma Administrativa que ocorreu entre maio e julho desse ano, fala agora em eficiência e modernização do Estado. Mas, por trás do discurso, está o mesmo projeto da PEC 32: enfraquecer os serviços públicos e atacar a carreira dos servidores", diz trecho de publicação do Fonasefe.

Da Redação da Aduff

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