REITOR MANIPULA O REGIMENTO E ATROPELA CÂMARAS COM VOTAÇÃO FRAUDULENTA
Nota conjunta da ADUFF, do SINTUFF e do DCE
A reunião do CUV dessa quarta-feira (21/01) foi marcada por uma condução digna do Centrão. Em manipulação do regimento conforme a conveniência, o reitor tentou aprovar a qualquer custo a renovação do contrato com a ESBERH para a gestão do Hospital Universitário Antônio Pedro por mais 20 anos.
Na discussão sobre a minuta do contrato, o relator leu as alterações propostas pelas câmaras especializadas, que visavam manter algum tipo de autonomia universitária frente à ESBERH. Dentre elas, estava a redução do tempo do contrato pela metade e a definição da centralidade da universidade na elaboração do plano de gestão. Contudo, logo no início do debate, o reitor informou que não seria possível modificar o contrato conforme indicação das Câmaras. Ou seja, o Conselho foi enganado pelo seu presidente.
A UFF ficou refém da ESBERH, sob a alegação de que ou assinaríamos contrato, ou deixaríamos os pacientes e trabalhadores(as) desassistidos, o que não é verdade. Mesclou-se o uso do medo como prática política, própria dos autoritarismos, com o imaginário neoliberal de que "não há alternativa".
As manobras feitas na reunião do CUV evidenciam a prática corrente da gestão Antônio Claudio, que é emular a democracia enquanto reduz efetivamente a participação da comunidade universitária no processo decisório. O regimento e as instâncias do Conselho são meros acessórios que visam garantir tão somente a vontade da reitoria.
Por fim, o reitor tentou promover uma votação a qualquer custo. Em primeiro lugar, negou a possibilidade de votar um substitutivo, em violação flagrante do regimento fo CUV. Depois, negou a contagem do quórum, também prevista regimentalmente. Iniciou então, pelo chat, o que deveria ser uma votação nominal. Essa votação se deu sem transmissão pelo YouTube, com conselheiros sendo mutados e removidos da reunião. Após estourar o teto da reunião, o reitor voltou apenas proclamando a aprovação da assinatura do contrato, sem contagem dos votos. A reunião foi então encerrada sem garantir direitos previstos aos conselheiros, como pedido de esclarecimento sobre a contagem e declaração de voto.
Esse conjunto de ações demonstra uma conduta anti-democrática que fere o regimento do Conselho Universitário e a autonomia universitária. Essa conduta, vale dizer, contou com a conveniência de vários(as) conselheiros(as).
O que se quer com esse processo é que o HUAP deixe de ser um hospital universitário e se torne uma filial da EBSERH. Enquanto isso, os estudantes denunciam a perda do sentido pedagógico do hospital e os técnicos relatam a precarização do trabalho, além de deturpações nos princípios que regem o SUS. Corremos o risco de perder o papel central da universidade na gestão do hospital universitário. Esse é o legado que o médico Antônio Claudio quer deixar como reitor da UFF.
Não iremos nos calar! Em defesa da universidade pública, em defesa do HUAP! Pela anulação da reunião fraudulenta do CUV!







