Nov
11
2025

NOVEMBRO NEGRO | Aduff irá a Brasília para participar da Marcha das Mulheres Negras e exigir o direito à reparação e o bem-viver

Em parceria com outros sindicatos do Rio de Janeiro, a Aduff enviará uma delegação feminina para participar da atividade, com participação de docentes, técnicas-administrativas, estudantes e militantes de sindicatos, coletivos negros e movimentos sociais.

A Aduff-SSind participará da Marcha das Mulheres Negras, que vai movimentar Brasília no dia 25 de novembro, reunindo representantes de diversos sindicatos, coletivos e movimentos sociais. A atividade, que visa fortalecer a luta antirracista e o compromisso com a valorização da vida e das necessidades desse coletivo, tem como tema central "Reparação e Bem-viver para as Mulheres Negras". A marcha ocorre uma década após o primeiro evento, quando cerca de cem mil pessoas estiveram na capital federal protestando contra as mais diversas formas de violência e de discriminação.

Em parceria com outros sindicatos do Rio de Janeiro, a Aduff enviará uma delegação feminina para participar da atividade, com participação de docentes, técnicas-administrativas, estudantes e militantes de sindicatos, coletivos negros e movimentos sociais.

Sonia Lucio Rodrigues, professora da Escola de Serviço Social, ex-dirigente da Aduff e do Andes-SN, afirmou que os sindicatos têm participado, juntamente com outros coletivos, da construção da Marcha. "É importante que estejamos com uma significativa representação e que apresentemos as nossas reinvindicações", disse a docente que participa da construção da Marcha das Mulheres Negras representando o Grupo de Trabalho de Política de Classe para Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) da Aduff.

De acordo com a professora, para a reparação ao bem-viver, é preciso o fim da escala 6x1, dando o sentido da luta por trabalho digno para as mulheres negras; garantir a taxação das grandes fortunas como medida de reparação histórica; denunciar os malefícios da Reforma Administrativa (PEC 38/25); repudiar e pedir o fim da violência policial e do genocídio da juventude negra; lutar contra a ofensiva da extrema direita contra direitos sexuais e reprodutivos – a exemplo da recente aprovação, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), popularmente chamado de PLD da Pedofilia e do Estupro. 

"A Aduff participa da construção da Marcha no estado do Rio de Janeiro desde as primeiras articulações. Para nós, a atividade demarca a importância de fortalecermos o debate sobre classe, gênero e raça, compreendendo como esses fatores de exploração e opressão atravessam o corpo e a vida de mulheres negras desde o nascimento", disse Susana Maia, docente da UFF em Rio das Ostras e diretora do sindicato.

Mobilizar um milhão de mulheres

Segundo Sonia Lúcio, as mulheres negras compõem à maior parte da população do país – são mais de 60 milhões ou aproximadamente 28,5% dos brasileiros (dados do Ministério da Igualdade Racial, de 2023). "Elas correspondem a maior percentagem de brasileiros em idade ativa. Dos quase seis milhões de trabalhadores domésticos, mais de 67% são mulheres negras que trabalham sem carteira assinada (75,3%) e sem contribuição para a previdência social (64,7%), cujos rendimentos do trabalho as colocam em situação de pobreza (26,2%) ou de extrema pobreza (13,4%)", afirmou.

Passados 137 anos da Abolição da Escravatura, as mulheres negras permanecem em ocupações/profissões desvalorizadas socialmente, por estarem diretamente relacionadas ao cuidado ou ao trabalho braçal. "Recai sobre estas a maior sobrecarga de trabalhos domésticos e cuidados com pessoas da família, o que faz com que as mulheres, em geral, e sobretudo as mulheres negras, tenham uma 'dupla jornada' não remunerada – o que dificulta seu desenvolvimento educacional e profissional e afeta sua saúde física e mental", pondera Sonia Lúcio.

Além disso, essas mulheres estão entre aquelas que, majoritariamente, são as maiores vítimas de estupro; criam a prole sozinhas; e as que sofrem a perda dos filhos em decorrência da violência policial/institucional. "Somente no ano de 2023, foram mais de 1,2 milhão de registros de violências contra mulheres no país, somando as modalidades consumadas e tentadas de homicídio e feminicídio, as agressões em contexto de violência doméstica, ameaça, perseguição, violência psicológica e estupro", pontuou. "Dessas, foram 1.467 mulheres vítimas de feminicídio – o maior número já registrado desde que foi criada a lei nº 13.104/2015, que tipifica esse tipo de homicídio. Das vítimas, a maioria é de mulheres negras (63,6%), das quais 71,1% abarcam a faixa etária entre 18 e 44 anos", complementou Sonia Lúcio, considerando dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024.

Para ela, as mulheres negras exerceram e exercem um papel crucial na resistência ao colonialismo escravagista e ao capitalismo. "Desde as revoltas de escravizados até o movimento pelos direitos sociais e civis, as mulheres negras têm sido figuras centrais nas lutas contra a opressão. Elas desafiam não apenas o racismo estrutural, mas também o patriarcado dentro dos próprios movimentos de esquerda", apontou a professora. Ela mencionou ainda que, de acordo com as organizadoras, é esperada a presença de um milhão de pessoas em Brasília. "Mas mesmo que isso não seja possível, esta, certamente, será uma das grandes manifestações do ano contra extrema direita", avalia Sônia.

De acordo Susana Maia, é preciso combater o machismo e o racismo também dentro das universidades, sindicatos e movimentos sociais. "As mulheres negras têm ocupado cada vez mais o protagonismo das lutas e precisam ser reconhecidas e valorizadas também em espaços de poder. Nosso legado é forjado na luta pela liberdade e pela resistência! Convidamos todas as mulheres negras a se mobilizarem nas atividades do Novembro Negro e na difusão da Marcha Nacional como um grande espaço de aquilombamento", complementou a dirigente da Aduff.

Da Redação da Aduff