A Aduff, o Sintuff e o DCE vêm a público se dirigir aos(às) conselheiros(as) do Conselho Universitário da UFF diante da convocação de reunião extraordinária que pretende deliberar sobre a renovação, por mais 20 anos, do contrato de gestão do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) com a EBSERH sem uma avaliação séria sobre os impactos desta gestão no atendimento à saúde da população e nas relações de trabalho.
Consideramos que não há, neste momento, condições políticas, institucionais e democráticas para tal deliberação. A recente audiência pública realizada sobre o HUAP, além de contar com baixa participação, foi marcada por forte assimetria entre o tempo concedido à gestão e o espaço destinado às posições críticas, o que, por si só, não supre a necessidade de um debate amplo, qualificado e plural sobre o modelo de gestão do hospital.
A tentativa de levar diretamente ao plenário do CUV uma decisão dessa magnitude, sem que o tema passe pelas câmaras especializadas e sem a construção de um debate aprofundado junto à comunidade universitária, representa um atropelo aos trâmites institucionais e à democracia interna da universidade.
Entendemos que a gestão do HUAP pela EBSERH provocou um sucateamento do hospital, uma vez que essa empresa acumula diversas denúncias, como falta de medicamentos, fechamento de leitos, superlotação, suspensão de cirurgias e outros procedimentos, além de assédio moral. Essa realidade se dá pela lógica neoliberal da EBSERH, que submete a saúde pública aos anseios privados.
Diante disso, as entidades signatárias defendem a suspensão da reunião extraordinária convocada para tratar da renovação do contrato. Caso a sessão seja mantida, conclamam os(as) conselheiros(as) a votarem contra a renovação, especialmente nos termos propostos, que apontam para uma prorrogação automática e excessivamente longa, sem qualquer revisão crítica do contrato vigente, sem transparência e sem avaliação aprofundada de seus impactos sobre o HUAP, a universidade, as relações de trabalho e o atendimento à população.
Decisões estratégicas que comprometem o futuro do hospital universitário por duas décadas não podem ser tomadas a toque de caixa, nem dissociadas do debate público e democrático que a UFF historicamente reivindica.







